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Publicado em 27/02/2021 às 15h54
Câncer de pênis atingiu mais de 10 mil brasileiros nos últimos 5 anos
Alex Rodrigues / Agência Brasil
GettyImages
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Por vários motivos, a maioria dos pacientes costuma demorar a constatar os sinais de que há algo de errado e procurar um médico

Considerado raro em países desenvolvidos, o câncer de pênis ainda afeta milhares de homens no Brasil. Embora evitável, a doença atingiu, pelo menos, 10.265 brasileiros entre os anos de 2016 e 2020. São casos que, além de deixar sequelas físicas e psíquicas às vezes irreparáveis, colocaram o país entre as cinco nações com os maiores números de ocorrências, junto com Quênia, Uganda, Egito e Índia.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), mesmo que menos frequente que outros tumores, como o de próstata, o câncer de pênis representa cerca de 2% de todos os casos de neoplasias malignas diagnosticadas entre homens no país, sendo mais frequentes nas regiões Norte e Nordeste – principalmente entre pessoas de menor grau de instrução e renda.

Conforme o Ministério da Saúde, a proporção de internações se manteve relativamente estável ao longo dos últimos anos: foram 1.961 em 2016; 2.017 (2017); 2.142 (2018); 2.194 (2019) e 1.951 no ano passado. Entre 2014 e 2018, as mais altas taxas de mortalidade por câncer de pênis foram verificadas em três estados da região Nordeste: Maranhão, Piauí e Sergipe; e em dois da região Norte: Pará e Tocantins. No ano passado, esses cinco estados, além de 370 cidades de todo o país, foram incluídos em um projeto-piloto que o ministério criou para qualificar o cuidado com a saúde masculina e tentar reduzir a incidência de câncer de pênis. A pasta destinou R$ 20 milhões ao projeto, ainda em fase experimental.

Higiene íntima: cuidados básicos
ajudam a evitar casos da doença

De acordo com o urologista Felipe de Paula, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) de São Paulo, muitos dos casos do câncer de pênis poderiam ser evitados apenas com cuidados básicos com a higiene íntima, já que o descuido com a limpeza do órgão sexual masculino é identificado como o principal fator de risco.

“É preciso higienizar muito bem o pênis, mas não só sua parte exterior. É necessário expor a glande, ou seja, a cabeça do pênis; colocá-la para fora do prepúcio [camada de pele retrátil que cobre a extremidade do órgão] e lavá-la bem”, orienta o urologista. Ele destaca ainda que a presença de fimose pode aumentar o risco de surgimento de lesões e dificultar a lavagem adequada da glande (que deve ser feita apenas com água e sabonete ou sabão), aumentando o risco de surgimento de um tumor.

DEMORA NO DIAGNÓSTICO
Diretor clínico do Hospital Regional do Câncer de Presidente Prudente (HRCPP), no interior paulista, Paula também destaca que, por vários motivos, a maioria dos pacientes costuma demorar a constatar os sinais de que há algo de errado. E mais ainda para procurar um médico.

“Uma pesquisa demonstrou que, mesmo depois de perceber uma lesão no pênis, metade dos homens demorou mais de um ano para procurar o serviço de saúde. Seja por falta de acesso, seja, na maioria das vezes, por vergonha”, declarou o urologista à Agência Brasil. O especialista alerta para o fato de que, no último ano, o diagnóstico precoce da doença foi prejudicado também pelo medo do novo coronavírus.

Paula recomenda que os homens fiquem atentos ao surgimento e à evolução de feridas e manchas em qualquer parte do órgão sexual, mas principalmente na glande. Ferimentos que não cicatrizam, a presença de uma secreção branca e/ou de um cheiro desagradável que não desapareça com a adequada lavagem do pênis podem ser indícios de um tumor.

Outro sinal preocupante pode ser a presença de gânglios inguinais (ínguas) na região das virilhas. Qualquer que seja o caso, a pessoa deve consultar um médico especialista para identificar a real causa do problema e receber o tratamento mais adequado.

Tratamento da doença tem elevada taxa de cura

Diagnosticado em estágio inicial, o tratamento do câncer de pênis apresenta elevada taxa de cura. A detecção dos casos de câncer pode ser feita por meio de exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos. O tratamento depende da extensão local do tumor e do comprometimento dos gânglios inguinais, podendo ser feito por meio de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, conforme o caso. Segundo o Inca, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar que a situação se agrave e seja necessário amputar parcial ou totalmente o pênis.

Embora seja mais frequente entre homens a partir dos 50 anos de idade, o câncer de pênis também pode atingir os mais jovens. Entre os fatores que aumentam o risco da pessoa vir a desenvolver a doença estão o fumo e as consequências de doenças sexualmente transmissíveis maltratadas – razão para os especialistas reforçarem a recomendação para que os homens usem preservativo ao terem relações sexuais.

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