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Publicado em 19/08/2013 às 17h17
Sustos sem custos


RODRIGO ROMERO

A demora será grande até qualquer outro trabalho cinematográfico bater, em cifras, na grana, 'Atividade Paranormal' (2007). Certo dia, Oren Peli, aspirante a cineasta - nada havia feito até então - dormia sossegadamente em sua casa quando foi acordado por um barulho estranho. O espanto não era amedrontador: foi causado porque uma caixa de detergente caíra de sua prateleira. Mas o estalo é o mais alarmante. Peli, a partir daí, teve ideia de filmar uma história precisamente sobre fantasmas e visões. Sentou, teclou, inventou. 'Atividade Paranormal' saiu do forno feito deste jeito. Convocou oito atores sem fama (Katie Featherston, Micah Sloat, Mark Fredrichs, Amber Armstrong, Ashley Palmer, Crystal Cartwright, Randy McDowell e James Piper) e, em sua própria casa, filmou um fenômeno de 86 minutos. Peli dirigiu, roteirizou, escalou elenco, fez figurino, produziu, fotografou e editou. Pagou 15 mil dólares por tudo e ficou bem satisfeito com o resultado. O próximo passo foi lançá-lo nas salas.

A trama, cujo casal de protagonistas tem os mesmos nomes reais, Katie e Micah, mostra uma casa onde, durante a madrugada, quando os dois dormem, ocorrem as coisas inexplicáveis. Passos na escada, a luz que acende sozinha, idem à televisão que liga, lustres balançando e a Katie. Sim, a moça parece sonâmbula. Para averiguar tudo, o marido resolve filmar 24 horas, com só uma câmera. Nas horas de sono ela fica no tripé, em frente à cama. Os sobressaltos iniciam e o espectador delira. Sem aparecer monstros, sem a trilha sonora macabra e sem quaisquer outros artifícios baratos, 'Atividade Paranormal' deixa em pânico o público. E isto se deve por um simples motivo: Oren Peli mexe com o nosso inconsciente e com situações ditas como reais. É o ambiente sombrio da casa que dá a pitada e dobra, triplica, o terror instalado ali. Além disso, novamente, temos Katie Featherston. A linda Katie, aliás. Somente tinha rodado o desconhecido 'Mutação' em 2006. Ela domina 'Atividade Paranormal'.

Lançado em menos de 200 cinemas, arrecadou US$ 9,1 milhões na primeira semana. Já dias depois bateu 'A Bruxa de Blair' (1999) e se tornou, proporcionalmente, o mais lucrativo da história. E a sorte de Peli e companhia não parou aí. Ao assistir ao filme, Steven Spielberg, ninguém menos, deu a dica ao colega de cinema: alterar o desfecho. Quem comprar ou alugar o DVD verá o final original. O de Spielberg fez Peli lucrar ainda mais, pois proporcionou continuações em 2010, 2011, 2012 e em 2014 a quinta sequência, 'Atividade Paranormal 5'. Vi os dois primeiros e fazer comparações seria a antipatia à covardia. O 1º é infinitamente melhor. No 2º, pequenos riscos de sustos, mas pelo menos temos mais informações. Em ambos não há créditos finais, como se estivéssemos nos deparado com a filmagem da família que, de repente, caiu nas telonas. Ao nos colocar como íntimos, Oren Peli- que apenas produz os demais 'Atividade Paranormal' (o diretor do 2 é Tod Williams) -nos deixa curiosos.

Produzido em 2007 e lançado dois anos depois, 'Atividade Paranormal' colheu pouco mais de R$ 1 milhão no Brasil e, pasmem, US$ 108 milhões (lembrem-se que foi desembolsado US$ 15 mil). No mundo, o total chegou a quase US$ 200 milhões. Peli, hoje com 43 anos, nascido em Israel e nos EUA desde 1989, ficou milionário literalmente da noite pro dia. Realizou o terror 'Sobrenatural' em 2010 e se dedicou desde então a 'Área 51' (2012), longa acerca de extraterrestres, também de terror. Citado anteriormente, 'A Bruxa de Blair' tem muito de 'Atividade Paranormal', ou vice-versa. Mas há semelhanças com 'Apolo 18' (2011), por exemplo, na questão de câmeras de intimidade, 'baseado em' fatos reais etc. Em geral, são trabalhos que exigem mais da turma, porém, se aceitos pelo público e de propaganda boca a boca, costumam render, além, óbvio, dos lucros, fama e idolatria. Existem por aí muitos fãs ardorosos de 'Atividade Paranormal' e 'A Bruxa de Blair'. 'Apolo 18' não fez tanto sucesso.

São sustos sem custos. O cinema independente deve seguir nesta estrada. Agradece. Todavia, em algum momento o espectador se enche de iguais toadas. É hora de 'Atividade Paranormal' findar.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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