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Publicado em 05/10/2015 às 10h19
Os nós certos


RODRIGO ROMERO

Dois matadores de aluguel entram numa escola para deficientes visuais. Lá está Johnny North (John Cassavetes). Ele morrerá em instantes, mas não reage. Intrigada, a dupla de criminosos Charlie (Lee Marvin) e Lee (Clu Gulager) procura um amigo do falecido pra investigar. A partir daí a trama de 'Os Assassinos' (1964) parte a uma teia onde a aranha é a mais inocente de todas. Ninguém está livre ali.

Os ingredientes de 'filme noir' saltam aos olhos. Há a mocinha sensual (é Angie Dickinson na pele de Sheila), o amante machão e bruto (Ronald Regan, sim, o ex-presidente dos EUA, como Jack) e o sub-herói metido a, puxo a brasa ao Brasil, Macunaíma de topete e cigarro no canto da boca (Cassavetes). O caldo deste caldeirão são carrões em velocidades altíssimas (North ganhava a vida sendo piloto de ralis perigosos), rios e rios de notas de dólares em valises elegantemente trancadas, além, é claro, das pronúncias do texto pelo elenco do mal com as entonações malandras, de propósito, e sem vergonha.

Baseado em um conto de Ernest Hemingway, 'Os Assassinos' teve direção de Don Siegel, especialista em fitas deste naipe, máfias, tiros etc. É importante salientar que é difícil montar e dirigir uma trama assim porque as tentações são grandes de se derrapar e esculhambar o blocked... Para que se dê certo é preciso elenco coeso e de talento preciso para tal tarefa. No caso de 'Os Assassinos', tanto Lee Marvin como Gulager estão ótimos e passam ao espectador a tensão criada pelas páginas de E. Hemingway. R.Regan e Cassavetes têm química boa com Angie, que detém o molejo das fêmeas fatais das telonas.

No DVD ainda está de brinde o curta-metragem de mesmo nome rodado pela turma de estudantes. O líder é Andrei Tarkovsky, cineasta russo que na época tinha 27 anos. Aqui eles usaram takes mínimos de câmeras, com ângulos também bem detalhados. A fita foi realizado no âmbito de sua formação em cinema e junto com os colegas Marika Beiku e Aleksandr Gordon. Composto por apenas 3 cenas, tem 19 minutos e pega a obra literária pelo pé. Explora-a como deve, ao contrário da produção de 1964. Esta possui os temas e a ideologia como pano de fundo, mas com o roteiro bem diferente do livro.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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