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Publicado em 14/08/2020 às 13h57
Fácil e fraco


RODRIGO ROMERO

Alguns reclamaram de apenas uma negra ter sido indicada a melhor atriz e de nenhuma mulher estar entre os finalistas de diretor. Bobagem. Esse desejo de querer 'lacrar' a qualquer custo já encheu. Estão ali os melhores e ponto final. Falar em 'cota' no Oscar é tão absurdo como querer cota em qualquer outro tipo de premiação.

Em 'Harriet' (2019), Cynthia Erivo dá vida à personagem-título (1822-1913), a ex-escrava que se tornou líder abolicionista e representante da liberdade de dezenas de escravos nos EUA, conhecida também como 'Moisés', por abrir o caminho para que esses presos ficassem livres.

O longa foi indicado também a Canção Original, com a música 'Stand Up', interpretada por Cynthia. A cinebiografia tem seus méritos, dentre eles, claro, o trabalho da atriz, e a direção segura de Kasi Lemmons (para quem não se lembra dela, Kasi era a melhor amiga de Jody Foster em 'O Silêncio dos Inocentes', 1991), que consegue deixar regular a trama de temática difícil. Harriet tinha um lema na vida: 'Liberdade ou Morte', e o seguiu ao longo de sua existência. Em vários momentos quase morreu e se arriscou em outros tantos.

O problema é jogar ao espectador a tarefa de compreender o 'sobrenatural', digamos assim. Isto porque a protagonista age conforme 'avisos de Deus', segundo ela. Ao pegar este gancho, Lemmons, que também assina o roteiro, facilita sobremaneira a produção.

Quando surgem os dilemas, os problemas, as dificuldades, Harriet para um instante, respira fundo, dá a impressão de receber os avisos divinos e avança. O lado sobrenatural da moça, portanto, dá o tom do filme e isto o prejudica. A diretora transforma a vida da ex-escrava em mitologia, como se fosse santa.

Harriet se destacou na Guerra de Secessão, na década de 1860, e querer que o público entenda a época demanda determinadas sequências didáticas, que na película ocorrem raramente. Veja depois 'Lincoln' (2012). Lemmons parece ter ficado empolgada e coloca Harriet num pedestal mais alto do que qualquer coisa. A relevância da personagem fala por si só e o papel da cineasta era moldá-la de um jeito que facilitasse a nós. Duração: 125 minutos. Cotação: regular.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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