Segunda-feira, 19 de Outubro de 2020 | você está em »principal»Blogs»Coisas de Cinema
Publicado em 01/05/2020 às 10h10
Emoções no gelo


RODRIGO ROMERO

Muita gente na infância percebeu os olhos lacrimejarem ao assistir 'Dumbo' (1941), o desenho épico da Disney sobre o elefante voador. Na época, falar em bulling era falar grego e o mundo talvez fosse mais agregador.

'Dumbo', longa-metragem com atores de carne e osso, lançado no início de 2019, desfaz um pouco o mito sofredor do animal maltratado por ter orelhas enormes.

E o ponto edificante é a direção de Tim Burton, complementada pelo elenco conhecido pelas atuações nas obras dele, com Michael Keaton e o Danny DeVito (Batman e Pinguim, respectivamente, em 'Batman: O Retorno', de 1992).

Para completar o cast, Alan Arkain, Eva Green e Colin Farrell, além das crianças Nico Parker e Finley Hobbins. Tudo isso misturado, infelizmente, não resulta num caldo saboroso. Ao contrário, falta colaboração e muitos efeitos especiais fazem da fita uma imensa pedra de gelo.

É impressionante como é raro o profissional que sabe controlar o uso do computador com o roteiro pelo menos razoável e coeso. Em 'Dumbo', estas misturas se fazem inócuas, a diversão pode ser percebida com bastante força, como se empurrássemos uma tonelada montanha acima.

Sua-se para notar um arrepio que seja. Burton coordena a direção de arte majestosa e talentosa, bem como a fotografia regular se posta lado a lado com seus demais filmes. Quem se sobressai, como não poderia deixar de ser, é o elefantinho orelhudo, com os olhos pidões e as asas estranhas. 

Nico-Finley se dão bem, se entrosaram. Mais nada. DeVito e Keaton, caricatos, bobos, parecem estar na primeira aula de atuação no cursinho do ginásio. E outra: não vejo com bons olhos a adaptação de filmes inesquecíveis, no caso animações, a cenas com pessoas.

A graça se esvai, tudo fica monótono e apenas as crianças, porque são inocentes, se divertem com bobagens como tal. 'Dumbo', o autêntico, é o dos traços de quase 80 anos atrás.

Querer empurrar outra coisa aos espectadores fixa-se como má vontade ou preguiça de criar histórias novas, com roteiros brilhantes, como os de outrora. É fogo. Duração: 112 minutos. Cotação: regular.

Publicidade
Comentários (0)

ATENÇÃO!

Os comentários publicados neste espaço são de responsabilidade de seus autores e não expressam
necessariamente a opinião do Diário de Jacareí


Por favor, faça o login antes de comentar

19 OUT
Publicidade
Notícias

Artigos
Perfil do Blog
Coisas de Cinema

Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
Arquivo
Publicidade
Publicidade
11/10/2019
A Prefeitura de Jacareí anunciou a implantação de corredores de ônibus na cidade. Qual a sua opinião sobre o tema?
06/04/2019
Após 100 dias de trabalho, qual a sua avaliação sobre o governo de Jair Bolsonaro (PSL)?
  • 38.1%
  • 19.5%
  • 14.6%
  • 13.3%
  • 12.2%
  • 2.2%
Logos e Certificações: