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Publicado em 09/11/2015 às 10h24
A Hollywood Bolchevique


RODRIGO ROMERO

Sempre fui fã de filmes políticos. Na maioria das vezes são feitos fora dos EUA. Tomem como os exemplos os excepcionais 'Z' (1969), 'No' (2012). Duas gerações totalmente distintas e igualmente competentes em seu propósito. Mas Hollywood, de vez em quando, roda um destes. 'Reds' (1981) tornou-se ícone porque o diretor, ator e roteirista Warren Beatty pescou para si o personagem real John Reed. Jornalista e ativista norte-americano, ficou famoso mundialmente por sua cobertura da Revolução de Outubro na Rússia, em que os bolcheviques tomaram o poder. Seu livro 'Os Dez Dias que Abalaram o Mundo' virou referência histórica para muitos. E 'Reds' mostra o homem, as suas paixões políticas e jornalísticas, e o envolvimento com a escritora feminista Louise Bryant.

Com duração de 3h15min, 'Reds' paira pelo início do século 20 dos EUA, período no qual J. Reed está no jornal 'As Massas', até a fundação do Partido Comunista dos Estados Unidos. L. Bryant é a atriz Diane Keaton. Bela, faceira, libidinosa, Diane talvez ali desenvolva seu melhor desempenho, só comparável aos orientados sob os olhares de Woody Allen. Também segura bem a rica vida da escritora, com charme contado, delicado, forte ao mesmo tempo. Jack Nicholson, um dos grandes amigos de W. Beatty, aceitou o papel de Eugene O'Neill, dramaturgo anarquista que teve um caso com Louise enquanto a moça estava 'casada' com J. Reed. Cínico e persuasivo, caiu bem à fachada dele, na tela com um bigode que manteria em 'Fronteira da Violência' (1982), filmado logo depois.

O teor político, de debate, em 'Reds' são filmados em planos-sequência que faz babar os cinéfilos e os entendedores de História. Aí estão os melhores instantes. As ideias transmitidas são curiosas, pois o ano de lançamento bateu justamente com o da posse de Ronald Regan, o ator republicano que se tornou presidente e governou até 1989. Indicado a 12 Oscars, levou 3: diretor para Beatty, atriz coadjuvante a Maureen Stapleton (não entendi este - a interpretação não tem nada demais) e fotografia, estupendamente elaborada por Vittorio Storaro. Aliás, um fato raro: é um dos poucos a ser indicado em todas as categorias a que tinha direito. É referência no ramo filme de política e de jornalismo. Ao juntar estes dois temas, e um elenco rico, 'Reds' se consagra de modo definitivo.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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