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Publicado em 08/03/2013 às 19h48
O Poder Público e o discurso da esperança
A redação / Diário de Jacareí

Segundo o pensamento do filósofo holandês do século XVII, Baruch Spinoza, a esperança ilude os indivíduos a esperar por uma solução externa e milagrosa, o que causa passividade e retira deles a sua capacidade de ação e escolha. Alienado, o indivíduo não apenas reconhece o poder externo que o domina, mas se identifica com ele, perdendo a referência de sua capacidade de ação.

Nada mais atual do que as palavras de Spinoza, para descrever o cenário da reunião que aconteceu na última quinta-feira (8) entre os metalúrgicos da Sadefem e representantes da Prefeitura de Jacareí, encontro que buscava criar alternativas para a recolocação no mercado de trabalho dos futuros demitidos da empresa.

O discurso da esperança adotado pela Prefeitura, de que os novos empreendimentos industriais que serão instalados na cidade possam absorver toda ou parte da mão de obra demitida da Sadefem, não pode servir como resposta diante de um problema social como este. As palavras de esperança de hoje não garantem, e sequer sugerem a perspectiva de recolocação desses profissionais no setor industrial da cidade a curto e médio prazo. A ilusão da esperança míngua, subestima o poder de transformação inerente em qualquer indivíduo.

Dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), publicados na semana passada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, demonstram que durante o mês de janeiro de 2013, foram fechados 100 postos de trabalho em Jacareí. Analisado por setor, apesar de pequena variação positiva, os dados demonstram que o vento que sopra o barco da indústria já aponta sinais de estagnação.

Empresas nunca foram, e nem devem ser, salvadoras da pátria de nenhuma sociedade. No entanto, o poder público não pode adotar o discurso da esperança e incutir nos trabalhadores a ilusão do futuro, seja ele qual for. Usar deste tipo de postura é lavar as mãos e esquivar-se de um problema real que afetará, direta ou indiretamente, a economia do município. O que se exige, então, da atual administração, é a adoção imediata de políticas públicas efetivas que fomentem a geração de emprego e renda.

Alternativas existem. Basta um mínimo de vontade política. Um exemplo da capacidade da geração alternativa de renda é demonstrado pelo número crescente de novos Microempreendedores Individuais (MEI). Do total de empresas abertas em Jacareí no ano de 2012, 60% delas fazem parte desta categoria. Na comparação com 2011, houve aumento de quase 10% no número de novos empreendimentos.

Criar subsídios para fomentar o desenvolvimento dessas atividades é apenas uma, de inúmeras alternativas socioeconômicas viáveis que podem ser tomadas a curto e médio prazo e servirão para minimizar o impacto de futuras demissões, provenientes do processo de desaceleração industrial do país.

É a nossa opinião.

 

 

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