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Publicado em 22/03/2020 às 09h42
Estudo no SUS confirma eficácia de cateter em caso de AVC isquêmico
Vinícius Lisboa / Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Estudo sugere a adoção do tratamento na saúde pública do Brasil, via SUS

Uma pesquisa realizada em 12 unidades do Sistema Único de Saúde confirmou a eficácia da trombectomia mecânica em casos agudos de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, também conhecido como derrame. Fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Rede Brasil AVC, o estudo sugere a adoção do tratamento na saúde pública do Brasil, o que depende da aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

O acidente vascular cerebral isquêmico é o tipo mais frequente de AVC e acontece quando um vaso sanguíneo que irriga o cérebro é entupido por um coágulo ou trombo. Quando esse entupimento provoca a ruptura do vaso, o AVC se torna hemorrágico, o que ocorre em 15% dos casos.

Na trombectomia, um cateter é usado no AVC isquêmico para desobstruir um vaso sanguíneo no cérebro de forma mecânica, removendo o coágulo com o uso de um stent ou por sucção. O tratamento usado atualmente é a trombólise, em que os coágulos desse tipo são dissolvidos por meio de medicação. 

Segundo a Rede Brasil AVC, o uso do cateter já ocorre em 68 hospitais privados do país e é uma realidade na rede pública de outros países, como o Canadá e Chile.

ESTUDO
Fundadora da Rede Brasil AVC e vice-presidente da Organização Mundial do AVC, Sheila Martins encabeçou o estudo que foi realizado no SUS entre 2017 e 2019, com 609 pacientes. A neurologista conta que a eficácia do tratamento já havia sido comprovada em 2015, mas a pesquisa realizada no Brasil foi pioneira na saúde pública de países em desenvolvimento. 

O estudo apontou que quem foi submetido ao tratamento teve mais chances de ficar sem sequelas e de continuar independente em suas atividades no dia a dia após um AVC. Além disso, houve menor mortalidade e incapacidade nos casos de trombectomia mecânica.

CUSTOS
Uma das dificuldades para adotar a trombectomia mecânica para tratar os casos de AVC isquêmicos agudos é o custo mais elevado do procedimento. Segundo Sheila, uma trombólise custa cerca de R$ 4 mil na saúde privada, enquanto uma trombectomia chega a R$ 14 mil. 

No SUS, as trombólises custam cerca de R$ 1 mil, e a pesquisadora acredita que o gasto com os cateterismos cerebrais também seria menor que o pago na saúde privada caso fosse implementado no SUS.

A Rede Brasil AVC defende, no entanto, que nem todos os hospitais podem oferecer o tratamento, já que ele requer uma equipe com especialização específica. "Nossa proposta inicial é implementar em 20 hospitais do SUS", afirma ela, que pontua que a trombólise continua com a vantagem de ser possível em unidades de saúde de menor complexidade.

A trombectomia também pode atender a casos em que já não há mais tempo para recorrer à trombólise. O tratamento medicamentoso para dissolver os coágulos é eficaz até quatro horas e meia depois do início dos sintomas, enquanto o cateter pode ser utilizado até oito horas depois, chegando a 24 horas em casos específicos, segundo a Rede Brasil AVC.

Agilidade é fundamental para
reduzir letalidade e sequelas 

A agilidade em iniciar o tratamento é fundamental para reduzir as chances de letalidade e possíveis sequelas de um AVC. A neurologista Sheila Martins recomenda atenção aos sintomas, que surgem de forma repentina e indicam que o derrame já está em curso. Entre esses sinais estão a perda da força muscular ou formigamento, principalmente dos braços, pernas ou de um lado do corpo; assimetria facial; forte dificuldade de fala e movimentação da língua; fortes dores de cabeça; tontura e dificuldade para enxergar.

Os jovens também devem ficar atentos a esses mesmos sinais, já que 10% dos casos de AVC no Brasil ocorrem abaixo dos 45 anos, segundo a Rede Brasil AVC. "O que acontece com os jovens é que eles não esperam ter a doença, e as pessoas não esperam que eles tenham. Às vezes, eles chegam no hospital rápido, e mesmo o médico ou enfermeiro não reconhece como AVC", explica.

Apesar de o AVC chegar subitamente e ser imprevisível, a neurologista alerta que é possível reduzir seus fatores de risco em até 90%. Problemas como colesterol elevado, pressão alta, diabetes, sedentarismo, tabagismo, obesidade, depressão, ansiedade e abuso de álcool podem contribuir para a ocorrência dos derrames.

Os homens são mais propensos a sofrer um AVC do que as mulheres, mas Sheila Martins acrescenta que o anticoncepcional é outro fator que podem aumentar o risco, quando associado ao fumo, a quadros de enxaqueca com sintomas visuais e neurológicos e também em mulheres acima dos 40 anos.

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