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Publicado em 07/05/2021 às 14h50
Trevas do partidarismo


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

A república é um sistema antinatural, obra da mente fértil de um filósofo desprovido de qualquer senso prático. Desvirtuada de meritória para eletiva, sua versão modernosa conseguiu o improvável: ser pior que a infeliz ideia original.

A transitoriedade irresponsável pelo todo nacional, no exercício popularesco do poder, fundamenta-se em pilastras sectárias - os partidos políticos - redis manietados por figuras escusas, destituídas de nobreza moral e qualquer patriotismo.

O republicanismo, desde então, transformou-se, na melhor das hipóteses (o festival dito 'democrático', em contraposição a longos períodos de exceção autoritária), em disputa quadrienal que obriga os eleitores, mas só empolga bonifrates e áulicos, que se esquecem do interesse público e relegam às calendas as questões nacionais perenes.

Com Chefia de Estado mais sólida e atemporal, a impor um mínimo de moderação aos excessos do partidarismo, países jovens como Canadá e Austrália seguiram no trilho do verdadeiro progresso de que se desviou o Brasil, no final do século XIX.

Obviamente a previsão constitucional de normativas com diretrizes orçamentárias e planos plurianuais não coroa a verdadeira preocupação dos politiqueiros com as futuras gerações. Na prática, essas leis provêm de gênese tão misteriosa quanto a receita para fabricação das salsichas e recebem gambiarras, a qualquer tempo, ao bel-prazer dos governantes de plantão.

Pois o cenário desolador ainda deve se agravar. Aos 33 partidos existentes podem se juntar mais 79 em processo de formação, desde que cumpram os requisitos previstos na Lei nº 9.096/95 e na Resolução nº 23.571/18 do TSE. Deferido o registro, seis meses depois as novas siglas já podem participar de eleições.

A última moda entre os partidos é trocar siglas sem muito significado por nomes inspiradores, dotados de charme e lirismo, como Patriotas, Rede, Democratas.

Para minorar o horizonte trevoso, registrou-se no último pleito municipal aumento da cota étnica de candidatos a prefeito: de 29% para 32% dos candidatos com alta concentração de melanina na epiderme. 

Contudo, os negros são desfavorecidos no recebimento dos recursos partidários: em 2018, seus pretendentes legislativos eram 26%, mas ficaram com só 16,6% da grana. Já às 13% afro-brasileiras restaram apenas 6,7% do investimento.

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O Quinto Poder

Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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