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Publicado em 18/01/2019 às 15h16
Bis para Orquestra


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Considerando que o primeiro nem merece menção, o segundo maior defeito do regime republicano é a descontinuidade das ações governamentais. Nesse tocante, palmas e exclamações para a Renovação Burguesa, que prosseguiu o mecenato da Dinastia do Proletariado à Orquestra Sinfônica Jovem de Jacareí (OSIJJA).

A OSIJJA é uma orquestra tipicamente brasileira: o trabalho letivo inicia-se só depois do Carnaval. Para compensar, tem seu ápice na apresentação de fim de ano, também conhecida como Especial de Natal.

A de 2018 ocorreu no mais recente 17 de dezembro, no Teatro Municipal (chamá-lo de Sala Ariano Suassuna é relativizar sua importância), com significativa presença de público, a assinalar a demanda reprimida de alta cultura na cidade.

Embora a agenda da Fundação Cultural de Jacarehy José Maria de Abreu não especificasse o teor do programa, a OSIJJA apresentou preciosa seleção de trilhas sonoras de Hollywood, com direito a abertura pelo clangor das trombetas e letras douradas do estúdio Fox.

A primeira peça executada foi de Harry Potter, seguida das partituras célebres de O Fantasma da Ópera, Dança com Lobos (a melhor da noite) e Titanic, intervaladas por dois 'medleys' com O Extraterrestre, Guerra nas Estrelas, Jogos Olímpicos, Tubarão, Jesus Cristo Superstar, Evita e Cats.

A OSIJJA foi um sucesso retumbante de público e crítica. O repertório levou ao delírio a plateia materna. Uma dama trajava vestido longo com chinelo Havaianas. O especialista cinematográfico Rodrigo Romero, em pé por mais de uma hora na longa fila de espera, considerou válido o sacrifício.

O maestro Bartolomeu Vaz regeu os jovens com galhardia e, mediante auxílio de professores estrategicamente infiltrados entre os músicos, fez a orquestra de aprendizes adolescentes soar como discos de 'Hooked On Classics'.

Para coroar o concerto, um final apoteótico: fantasiado de Darth Vader e surgido do gelo seco, o maestro Mauro Bueno fez a OSIJJA tocar com o coração e soltar ternas bolhas de sabão.Com dois pedidos de bis, o público fez render o quilo de alimento doado aos velhinhos asilados. Na insuficiência de repertório, repetiu-se 'Star Wars'. Aí foi sentida a falta de Rocky Balboa e Cinema Paradiso.

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Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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