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Publicado em 07/08/2020 às 13h30
Um fracasso de verdade?


RODRIGO ROMERO

Agora ninguém mais lembra, mas '1917' (2019) foi considerado o maior fracasso do Oscar 2020. Levou apenas 3 estatuetas - efeitos especiais, mixagem de som e fotografia. Considerado esmagado por 'Parasita' (2019), o longa-metragem sobre a I Guerra Mundial (1914-18) tem apelo sentimental: o avô do diretor Sam Mendes, Alfred, era um dos alistados e lhe contava histórias do conflito. O veterano morreu em 1991, aos 93 anos.

Na trama, os cabos Blake (Dean-Charles Chapman) e Shofield (George MacKay, que deveria ter sido indicado ao Oscar no lugar de Jonathan Pryce, de 'Dois Papas') têm de levar um recado de cessar-fogo a quilômetros de distância. Caso não consigam, pelo menos 1.600 soldados ingleses morrerão.

E há um ingrediente agravador: um destes ameaçados é o irmão mais velho de Blake. '1917' tem participações especiais de Colin Firth e Benedict Cumberbatch. Mendes montou o roteiro de maneira que a fita se passasse toda num único plano-sequência, isto é, sem cortes, como se fosse uma cena só.

Para isto, foi necessário um esforço grande. Em primeiro lugar, houve ensaios exaustivos. Em segundo lugar, é claro que há os cortes, mas eles são praticamente imperceptíveis. Em terceiro lugar, o clima de tensão se faz presente nas duas horas de duração e tal objetivo mostra que o filme tem qualidade de prender a atenção do público em um ambiente claustrofóbico e cheio de medos.

A proeza de Mendes está no torpor e na missão inglória dada aos cabos. Os 2 atores conseguem sustentar a história com interpretações surpreendentes, pois o grau de cansaço em virtude dos sucessivos treinamentos de blocked foi sem tamanho. Dos 3 Oscars que levou, o mais merecido, sem dúvida, foi o de fotografia, do superexperiente Roger Deakins.

A paleta de cores em tons de bege e cinza dá o ar de poeira, sujeira e alto índice de proximidade com a morte a que os 2 cabos estão perto. Na mixagem de som, o diretor teve a ideia de colocar os microfones dentro da roupa dos atores. Desta forma, os sons mais detalhados ficam bem claros, como as pisadas das botas, respiração etc. Duração: 118 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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