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Publicado em 09/02/2018 às 14h22
Sem aquela empolgação


RODRIGO ROMERO

A memória me falha agora, mas li em algum lugar por estes dias a seguinte frase: 'Quando nós vamos desabafar sobre algo que nos incomoda, usamos geralmente as redes sociais - Facebook, Twitter etc. Quando Steven Spielberg quer desabafar, faz um filme'. Tentador. As palavras se referiam ao recém-lançado 'The Post: A Guerra Secreta' - Meryl Streep e Tom Hanks nos papéis principais.

O diretor de 'Tubarão' (1975) e 'O Resgate do Soldado Ryan' (1998) quis atingir em cheio Donald Trump, o atual presidente dos EUA. Assuntos como as 'fake news' (notícias falsas), as mentiras usadas por governos para tentar disfarçar assuntos cabeludos e as artimanhas para ludibriar a população, estão na fita.

E desde já aviso: não é grande coisa. Cheia de clichês baratos e atuações, em alguns casos, de corar os espectadores, o longa-metragem mostra como foi a escalada da fama do jornal 'Washington Post' na cobertura da Guerra do Vietnã (1965-75), em relação a documentos secretos que acusavam os EUA de várias manobras para controlar países com 'problemas de democracia' ou 'ameaça comunista'.

A dona do jornal, Kay Grahan (Streep, indicada ao Oscar pela 21ª vez, em 40 edições do prêmio), teve de ocupar lugar do marido, que cometeu suicídio. É insegura e entende pouco ou nada de jornalismo. Em contrapartida, Ben Bradlee (Hanks), o redator-chefe, é obcecado pelo trabalho. Quando descobre os papéis do governo, não mede consequências para publicar e 'furar' o The New York Times. Editado às pressas, e produzido da mesma forma, 'The Post' tem várias derrapagens.

Quer ser ágil quando o momento pede silêncio. Tenta ser dramático, mas fora de hora. Até mesmo as sequências de humor, por assim dizer, são forçadas. Determinados takes e diálogos, se você não entende inglês e necessita acompanhar as legendas, perdem-se nos caprichos do roteiro. Só o público restrito dos EUA entende e sabe a história.

Streep e Hanks sobressaem-se porque são excelentes atores, mas ele, percebe-se, é o mais desconfortável. Chega a ser constrangedor quando o intérprete de Chuck Noland ('Náufrago', 2000) põe os pés na mesa, no estilo 'jornalista sabidão', e balbucia algo meio impertinente. Todavia, há as cenas típicas de Spielberg: a reconstrução da época, as máquinas impressoras dos jornais, tudo é magnífico e perfeito.

Fizeram-me ter nostalgia de um tempo esfumaçado que não vivi, o das batidas das teclas das Olivettis 'da vida'. Mas sem aquela empolgação. Ao contrário. Duração: 116 minutos. Cotação: regular.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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