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Publicado em 28/09/2015 às 11h20
Piscina cheia/Piscina vazia


RODRIGO ROMERO

Com menos de cinco minutos de 'Que Horas Ela Volta?' (estreou em 27 de agosto no Brasil, mas veio ao Vale do Paraíba somente 3 semanas depois) você se esquece de que Regina Casé apresenta aquele programa na TV Globo. Com menos de dez minutos, você sabe que está diante duma superprodução, mais uma, aliás, da talentosa cineasta Anna Muylaert (de 'Durval Discos', 2002). Ela faz o simples, e em razão disso, pensamos ser fácil a tarefa. Erramos... Então nos damos conta de que há pessoas que realizam as maravilhas que, sabemos, nós jamais seremos capazes de igualar, ou sequer de imitar.

'Que Horas Ela Volta?' é sobre Val (R. Casé) e São Paulo. Ela trabalha como empregada doméstica na casa de um casal mal resolvido (ótimos Lourenço Mutarelli, Karine Teles) que tem um filho, Fabinho (o ator Michel Joelsas, de 'O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias', 2006). Val mora no emprego.

É tratada "como se fosse da família". Vê o garoto como filho, enquanto Carlos (Mutarelli) se entretém com depressão e Bárbara passa o dia no trabalho. Essa vidinha se vê diante desta reviravolta: Jéssica (Camila Márdila, perfeita), a filha que Val não encontra há anos, vem a SP para prestar o vestibular.

Na casa dos patrões, Jéssica se comporta como se fosse da família, sem aspas, pra desespero da mãe: dorme no quarto de hóspedes, se senta à mesa com quem manda e explora toda a cortesia de Carlos.
Muylaert, também roteirista da obra, sabe o que faz. Sua direção é suave, sem se intrometer tanto no filme. Domina os atores com delicadeza, marca registrada de seus trabalhos. Redigiu um blocked com sutis ironias e acachapantes conclusões. 'Que Horas Ela Volta?' é o filme brasileiro mais comentado das últimas semanas. Estreou no exterior no começo do ano e conquistou muitos prêmios. Para sites especializados no Oscar, é candidato e estar entre os cinco finalistas da categoria Filme Estrangeiro.

Talvez na cena mais comovente, Val entra na piscina quase vazia dos patrões, ali brinca, para orgulho de Jéssica, com quem fala ao telefone. A piscina esteve cheia a maior parte do longa. Importamo-nos com ela naquela sequência. É como a história do copo cheio / copo vazio e de como você encara isso.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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