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Publicado em 14/01/2013 às 10h38
Perto do fim


RODRIGO ROMERO

Clint Eastwood foi feliz ao rodar 'Além da Vida' (2010) com tsunami de seis anos antes como pano de fundo. Trabalho surpreende não pela qualidade - sabemos as de Clint -, mas por nos tocar e emocionar com costura de personagens envoltos naqueles problemas sem solução. Lidar com mortes em cinema pode ser ultrajante, porém neste caso não. Há outro assim. 'O Impossível' (2012) é destes produtos valiosos e com repercussão. De realização espanhola, ou melhor, catalã, pois o diretor Juan Antonio Bayona é de Barcelona, a fita narra a tragédia real da família Alvarez Belón, daquele país. As cinco pessoas do clã- Maria (Naomi Watts), Henry (Ewan McGreggor), Lucas (Tom Holland), Simon (Oaklee Pandergast) e Thomas (Samuel Joslin)- passam as férias no paraíso da Tailândia. Em 26 de dezembro de 2004, o desastre aquático atinge o local e eles se separam. É, então, que engrena a fita.

A reprodução da calamidade que matou 300 mil pessoas e deixou milhões desabrigadas é, ao cinema, de um requinte apurado, tal a explosão das imagens. Os filhos e o pai na piscina, a mãe ali na cadeira lendo, quando escapa uma página e ela vai atrás. Grudada no vidro, Maria é a que mais pena. Passam as águas e fica o sangue. Aí entra o show de roteiro, atuação e maquiagem, além de mágicos efeitos especiais. Maria e Lucas se encontram e pensam estar morto o restante da família. A tamanha peregrinação rumo ao destino incerto (eles estão isolados, mal sabem onde está tudo, pois a lama e a água cobrem o território) é feita à base de dor. Mãe e filho encontram Daniel (Johan Sundberg), loiro e afável, talvez o anjo órfão. O trio se perde, todavia são acudidos finalmente pela população local. A mais periclitante situação é a de Maria. Bastante ferida, a médica resume em si a aflição do planeta.

Os destaques de 'O Impossível' são, sem qualquer ranço de dúvidas, Naomi Watts e Holland. A atriz, macaca-velha de filmes deste naipe ('21 Gramas'-2003 é um exemplo), não nos admira tanto, pois costuma trabalhar direitinho, conforme a máquina anda. Profissional que necessita de diretor a atuar regularmente, Naomi impressiona pela categoria. A angústia está em seu rosto e o berro que a personagem dá em determinado momento serve como o alívio indignado, por estar viva, mas sem os seus amores maiores. Sobre Tom Holland é preciso esclarecer se tratar do primeiro trabalho dele na sétima arte. Na telona, estupendo seria razoável afirmar acerca de sua atuação. Na medida em que a história avança, Lucas sobe degraus de excelência. Inexperiente, claro, em lidar com casos trágicos, e ainda sendo a própria mãe como a principal vítima, ele se desenvolve bem e causa comoção em nós.

Apesar do desfecho previsível (é bom lembrar que se trata de relatos reais) espumar na nossa mente, pois finais felizes nas circunstâncias do roteiro cheiram a mel, o diretor J. Bayona arma boas performances em uma estrutura declaradamente estrondosa. O sentimento de estar perto do fim, de morrer a qualquer instante e ter de saber disto tudo, ou seja, com consciência, é um tanto maligno e deturpador. 'O Impossível' é espetacular, bom de se ver - é o cinema legítimo estampado - e mostra-nos um pouco mais do flagelo que foi o tsunami, inclusive fazendo desta palavra sinônimo de coisas desgraçadas, acidentais e inflamadas. Geraldine Chaplin, uma das filhas do cineasta famoso, faz uma ponta como uma velha senhora que conversa com Thomas sobre a idade das estrelas. Cativante, aos 68 anos, os olhos azuis fazem de Geraldine outro símbolo do longa-metragem. E.McGreggor só soma aos trabalhos e abre espaço aos verdadeiros protagonistas: Naomi e Holland, os destaques absolutos.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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