Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020 | você está em »principal»Blogs»Coisas de Cinema
Publicado em 12/07/2019 às 16h45
O grandioso Hitchcock


RODRIGO ROMERO

Dez anos depois de 'Sabotagem' (tema da coluna passada) Alfred Hitchcock era famoso mundialmente e escolhia histórias, além de já bater ponto em Hollywood. 'Interlúdio' (1946) teve as estrelas de então, Ingrid Bergman, Cary Grant e Claude Rains, no elenco, e o roteirista Ben Hecht, que trabalhara com o Mestre do Suspense em outras oportunidades, como em 'Correspondente Estrangeiro' (1940).

É mais uma história de espionagem, nazista agora. Bergman é Alicia, filha dum traidor americano condenado à prisão perpétua. Às voltas com a vida de boemias, bebidas, namorados, fruto da revolta generalizada causada pela figura paterna, a moça se vê diante de um desafio proposto por Devlin (Grant), agente da polícia: espionar um clã de nazistas que estão infiltrados no Rio de Janeiro (!) para saber quais são os planos mirabolantes, diabólicos do pessoal, cujos líderes são Sebastian (Rains) e a mãe (interpretada de forma estupenda por Leopoldine Konstantin).

Mas neste ínterim Devlin e Alicia se apaixonam. Mas e agora? A tarefa não será cumprida? Precisamente em 'Interlúdio' há uma passagem que contei aqui anos atrás, e vale a repetição: I. Bergman estava com dificuldades sobre o seu personagem. Não sabia a colocação certa das frases, o ar de garota (tinha 30 anos) simultaneamente ao da insegura falsa espiã. Enfim.

Foi perguntar a Hitchcock o que devia fazer. 'Ingrid, por favor não pense. Apenas finja', disse o diretor. Em determinadas sequências percebe-se certo incômodo na atriz de 'Casablanca' (1943). Não nas da festa, onde Devlin invade a adega de Sebastian à procura de algo suspeito... É impressionante o modo como o cineasta sabia conduzir o público ao sistema catalisador da dúvida somada ao romance.

O casal Bergman-Grant surpreendeu a crítica da época por acabar com os 3 segundos de beijo. Foram bem além desse tempo. 'Hitch' disse ter se inspirado ao ver uma menina segurar o braço do namorado enquanto ele urinava. 'O romance não deve ser interrompido', disse. 'Interlúdio': um grande trabalho. Duração: 101 minutos. Cotação: ótimo.

Publicidade
Comentários (0)

ATENÇÃO!

Os comentários publicados neste espaço são de responsabilidade de seus autores e não expressam
necessariamente a opinião do Diário de Jacareí


Por favor, faça o login antes de comentar

21 OUT
Publicidade
Notícias

Artigos
Perfil do Blog
Coisas de Cinema

Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
Arquivo
Publicidade
Publicidade
11/10/2019
A Prefeitura de Jacareí anunciou a implantação de corredores de ônibus na cidade. Qual a sua opinião sobre o tema?
06/04/2019
Após 100 dias de trabalho, qual a sua avaliação sobre o governo de Jair Bolsonaro (PSL)?
  • 38.1%
  • 19.5%
  • 14.6%
  • 13.3%
  • 12.2%
  • 2.2%
Logos e Certificações: