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Publicado em 18/10/2019 às 14h40
O debute de Nicholson


RODRIGO ROMERO

Depois de muito procurar finalmente achei no YouTube o filme de estreia de Jack Nicholson, The Cry Baby Killer (1958). Está na íntegra, sem legendas, mas vale a pena se você entende um pouquinho que seja de inglês.

Dois anos antes, o ator havia feito pequena participação numa série de TV. Com 61 minutos de duração e dirigido por Justus Addiss, ele também estreante no cinema (havia comandado séries de TV desde o início dos anos 1950), 'The Cry Baby Killer' tem ritmo de roteiro alucinante, principalmente em seus primeiros takes.

A música tema, de Gerald Fried- hoje ainda na ativa, aos 91 anos - pega o espectador pelos colarinhos e já destaca que veremos uma história ágil e da época frenética dos punk-rocks.

Na fita, Jimmy Wallace (Nicholson), o adolescente rebelde de 17 anos, é espancado por Manny (Brett Halsey) e os seus parceiros Joey (Ralph Reed) e Al (James Fillmore), por causa da namorada de Jimmy, Carole (Carolyn Mitchell), que Manny paquera.

Mais tarde, na lanchonete, Jimmy surge de repente. Depara com Manny e Carole juntos, e aí a peleja está criada: há briga generalizada e um dos meninos puxa o revólver, que cai no chão. Jimmy agarra a arma, dispara em Manny e Al.

A polícia aparece, o personagem de Nicholson entra em pânico porque pensa ter matado a dupla e se refugia em um armazém, onde estão o funcionário e uma mulher com o bebê que chora (daí o título).

Evidentes, todas imperfeições do futuro Coringa saltam à vista em alguns bons trechos e simultaneamente revelam o artista que saltaria ao estrelado tempos depois, com a vontade de aprender à flor da pele.

'The Cry Baby Killer' tem Roger Corman, o guru de Nicholson até meados da década de 1970, como produtor-executivo (faz participação especial-ponta- como membro da equipe de TV que cobre o sequestro de Jimmy de maneira sensacionalista.

É entretenimento certo, divertido e curioso, a você que é amante da sétima arte. Também serve pra matar um pouco a saudade do ator, que em 2020 vai completar uma década longe dos sets, holofotes. Recolhido em sua mansão, ninguém sabe sobre seu estado de saúde, há 6 meses de completar 83 anos. Cadê você, Jack? Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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