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Publicado em 26/07/2019 às 13h56
O convincente Hitchcock


RODRIGO ROMERO

As produções do Mestre do Suspense eram quase sempre cheias de vestígios, armações, ancoradas em roteiros bem construídos (geralmente baseados em livros) e cuja concatenação fazia inveja aos colegas.

O próprio Hitchcock afirmou, mais de uma vez, considerar 'A Sombra de uma Dúvida' (1943) a sua fita predileta, ou então pelo menos no top 3. De fato, a trama é engenhosa, e paira nela ares de caradura e charme, ingredientes que resvalavam na obviedade da trajetória do cineasta.

Nesta história, Charlie, a adolescente desanimada com a vida que leva (Teresa Wright) busca a solução aos seus dias de tédio, e pensa em escrever ao xará, o tio Charlie (Joseph Cotten), sem saber que ele já está a caminho de visitar os parentes.

Realmente, a chegada dele movimenta a pequena cidade: o mulherio arregala os olhos, o banco o recebe muito bem, e o jovem tem várias passagens para contar. Mas tudo começa a se alterar quando ele tenta esconder um jornal.

De antena ligada, a sobrinha inicia uma investigação em que leva a crer que ele é um serial killer de 'viúvas alegres'. A proposta do blocked é levar o público a considerar o tio e a sobrinha como almas gêmeas - têm o mesmo apelido, pensam de modo igual, são ousados até a última gota (insinua-se ainda a paixão recolhida de ambos - Hitchcock sabia conduzir bem os desejos sexuais dos personagens).

Ao passar dos minutos, percebe-se que essas comuns características são, na verdade, reflexos de espelho, ou seja, as individualidades são praticamente opostas. O diretor possuía a habilidade de nos convencer das situações apresentadas e 'mexia seus pauzinhos' para que os nossos sentimentos fossem cronometrados. E funcionava.

Cotten e Teresa representaram com categoria tanto o jovem cínico, dissimulado como a adolescente intempestiva, justiceira, simultaneamente enamorada e frágil. 'A Sombra de uma Dúvida' tem o ceticismo impactante das demais obras de Alfred Hitchcock e nos alegra por ser o cinema de primeira qualidade. Alma Reville, esposa de A.H., é uma das roteiristas. Duração: 108 minutos. Cotação: ótimo.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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