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Publicado em 16/06/2014 às 19h36
Ninguém tem culpa


RODRIGO ROMERO

O diagnóstico salta a vista. 'A Culpa é das Estrelas', lançado há 12 dias, é o filme com o maior número de comentários feitos no sentido de alertar as pessoas que o assistirão. Vários críticos, blogs, revistas e jornais indicaram ao espectador a melhor maneira de ver a história do casal Hazel e Gus. A grande parte dos conselhos era pra levar ao cinema mais de um lenço. Sim, esta é mais uma daquelas fitas rodadas exclusivamente com o fim de fazer a plateia cair no choro, como nas piores telenovelas mexicanas que tanto cansamos de sequer querer saber. Mas aqui este não é o caso. Há as qualidades.

Baseado no best seller de John Green, um jovem de 36 anos dos EUA, 'A Culpa é das Estrelas' aborda questões adultas pra uma audiência adolescente. Hazel (Shailene Woodley, a filha rebelde de George Clooney em 'Os Descendentes', 2011) tem câncer terminal. A doença é tratada com remédio experimental. A moça só se preocupa com a dor de seus pais. O livro de cabeceira dela é 'Uma Aflição Imperial', escrito por Peter van Houten (Willem Dafoe, espetacular), que aborda exatamente o lado trágico de se ter um câncer. Assim, os pais da menina forçam-na a participar de um grupo cristão, de autoajuda, uma espécie de Alcoólicos Anônimos dos portadores de enfermidades muito graves. E é lá que Hazel conhece Gus (Ansel Elgort). Como ela, ele também é adolescente, tem câncer avassalador e por causa disto já amputou parte da parte direita. Porém, Gus encara problemas de forma diferente. Quer marcar o mundo com algo especial, pra que os demais lembrem dele como um homem famoso. Daí para que Hazel e Gus formem um par fofo e carismático é um pulo. E existem motivos para que você assista ao longa-metragem com olhos desprovidos de preconceito, ranço machista, mau humor.

Além de, óbvio, protagonistas terem 20 anos ou menos, e o autor do livro igualmente ser um homem de nem 40 anos, o diretor Josh Boone tem 35. Praticamente estreia no comando de películas blockbusters (fez 'Ligados pelo Amor' em 2012, mas sem a repercussão deste 'A Culpa...). Isto conta demais. A condução da fita é realizada de forma a cativar o espectador desde os primeiros minutos, e os créditos de abertura, assim como a trilha sonora, cumprem este papel. Se o filme é daqueles feitos para chorar é porque as páginas de Green possuem este pozinho mágico e o que Boone fez foi apenas transportar o ingrediente à telona. Outro ponto a favor foi a escolha da dupla principal de atores. É a encantadora Shailene quem imprime ao filme o ritmo favorável. Ansel, pela feição meiga e suave da parceira, não chega a ficar de canto, mas é ajudado por ter ao lado sua companheira delicada. Ambos fizeram 'Divergente', que estreou pouco mais de um mês atrás. Têm química realmente. Combinam.

A sala em que vi 'A Culpa é das Estrelas' estava lotada. Nesses quase 20 anos em que vou ao cinema cotidianamente, sem dúvida alguma o longa foi o que mais vi e ouvi suspiros, soluços e tantas lágrimas do público. Não lembro qual crítico escreveu que se a fita os fez chorar, tidos como seres de alma morta, o que dirá às pessoas que possuem sentimentos. A intenção é esta mesmo. Fazer você e quem for junto ao cinema sair da sala extremamente mais tenro, sensível e domesticado. O roteiro é o caminho traçado para tal e 'orienta' o auditório qual estrada seguir: a do lenço bastante ensopado.

Afrouxe o nó da gravata do coração. Curta o verdadeiro filme feito para chorar. 'A Culpa é das Estrelas' é, pelo menos, sincero: pretende arrancar a enxurrada de lágrimas do público. E consegue. Sem querer fazer comparações, mas se na década de 40 'Casablanca' (1943) fez estragos nas meninas com o desencontro de Rick e Ilsa, as jovens da nossa geração, a do século 21, recheada de internet e a mensagem instantânea, têm 'A Culpa é das Estrelas' a derramar o que for possível de lágrimas. Meu convite é tornar as pessoas mais suscetíveis ao despreparo. Desamarre o nariz torto e torça por Hazel e Gus. Tire as culpas do armário, se tiver. Afinal, ninguém tem culpa, creio. Nem as coitadas estrelas.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


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