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Publicado em 09/09/2016 às 11h31
Narcoboys


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Muita gente não sabe, mas juiz de direito, promotor de justiça e defensor público dão plantão aos finais de semana e feriados, em escala de rodízio. Antigamente, quem aprontava de sexta a domingo aguardava no cárcere até segunda-feira. Dava um bom tempo para refletir sobre o fato e pensar na vida. Atualmente, na rapidez da modernidade e rigor dos direitos humanos, o suspeito tem direito de ter a legalidade de sua prisão avaliada em no máximo 24 horas. Então, é preciso uma estrutura montada para receber os casos, em núcleos espalhados pelo Estado. O plantão judiciário de nossa região é realizado no fórum de São José e engloba Jacareí e Santa Branca.

O trabalho plantonista reparte-se em duas frentes - maiores presos em flagrante delito e adolescentes apreendidos na prática de ato infracional. A primeira tarefa é escrita e relativamente célere. Já a apreensão de adolescente, além de a parte escrita ser mais extensa, é necessário interrogar o jovem e entrevistar os pais. Leva-se mais tempo para fazer e, por isso, todos torcem para adregar reduzido préstito de rapazotes provindos da delegacia sob torquês.

Enquanto a prisão de adultos ocorre por crimes variados, a apreensão de adolescentes ocorre quase sempre por tráfico de drogas. Sou promotor há dezenove anos. Nesse período, presenciei diversas mudanças no submundo criminal, porém a mais aguda foi o crescimento exponencial da mercancia maldita.

É triste ver crime tão grave se generalizar no universo teen, notadamente o da periferia. O que antes era ato hediondo virou bico suave para rapazes proibidos por lei de labutar para ajudar a família. O papel da polícia passou enxugar gelo. Apreende um traficante aqui, despontam mais dois acolá.

O perfil recorrente do traficante juvenil é: sofrível rendimento escolar (normalmente com repetência), rotina ociosa, desagregação familiar, zero esporte, distanciamento paterno, descultivo de hobbies, uso permanente de maconha, desertificação cultural, ausência de disciplina doméstica, primogênito de prole numerosa e acesso ilimitado às ruas. A combinação de pelo menos três dessas circunstâncias deve servir de alerta aos pais de qualquer camada social.

Causa pena. Lastimavelmente, a vida desses jovens é mesmo uma droga.

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Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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