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Publicado em 17/06/2016 às 10h31
Na lista negra


RODRIGO ROMERO

Se você sabe um pouco acerca da história dos EUA conhece o que foi o Macarthismo dos anos 1950. Não me estenderei porque o espaço é curto, mas se tratava dum senador chamado Joseph McCarthy que procurava comunistas infiltrados no país em tudo quanto é meio empregador. Dentre os meios estava o do cinema. O roteirista Dalton Trumbo foi um dos acusados. Acuado, não pensou duas vezes e enfrentou o 'sistema'. Ano passado, Hollywood o homenageou com o filme 'Trumbo: Lista Negra'.

No papel-título o ator escalado foi Bryan Cranston, conhecido mundialmente por ser o Walter White na série de TV 'Breaking Bad'. O longa-metragem, dirigido por Jay Roach, traça a batalha enfrentada por Trumbo para poder sobreviver à revelia das perseguições políticas. Ele era realmente comunista e teve de se reinventar no mundo da sétima arte. Usou pseudônimos, por exemplo. Posto em 1947 na lista negra, Trumbo (1905-1976) esteve à frente, mesmo escondido, de projetos premiados.

Escreveu os roteiros de 'A Princesa e o Plebeu' (1953) e 'Spartacus' (1960).  Por 'Arenas Sangrentas' (1956), ele assinou Robert Rich. Na cerimônia do Oscar, ao anunciar que R. Rich venceu, os grilos cricrilaram e ninguém subiu ao palco a apanhar o prêmio. A fita mostra este e outros momentos interessantes. Pra ganhar algum, aceitou trabalhar com Frank King (John Goodman, ótimo), um produtor de filmes B.

No elenco, Hellen Mirren interpreta Hedda Hopper, a atriz adepta ao Macarthismo que por muitas vezes tentou persuadir, em vão, a mente de Trumbo, inclusive com ameaças. Nomes hoje verdadeiras lendas estampam a trama, como Otto Preminger, Kirk Douglas, John Wayne e Louis B. Mayer. Bem interessante é apreciar o cuidado com a direção de arte e o impecável trabalho de Cranston, que de maneira merecida figurou entre os cinco finalistas do principal troféu do cinema. O real Trumbo se foi aos 70 anos ao sofrer um enfarte.

Dezessete anos após a sua morte, em 93, a família dele recebeu o Oscar por 'A Princesa e o Plebeu'. Os papéis foram creditados a Ian McLellan Hunter, que havia se oferecido a ser a espécie de laranja de Trumbo, que era uma figura. É um filme que vale bem a pena.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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