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Publicado em 23/04/2021 às 19h43
Mais escanteados


RODRIGO ROMERO

Terminei a coluna da semana passada com a tese dos caranguejos do balde, do filósofo Olavo de Carvalho. A associação é simples: quando esses bichos estão jogados lá dentro e um tenta subir, fatalmente outro lhe puxa a perna e joga-o de novo ao fundo do balde.

É isso que costuma ocorrer quando alguém, geralmente da classe artística, seja cinema, música, TV, literatura etc, 'foge' aos padrões da Patrulha do Politicamente Correto, por exemplo. No texto anterior comentei acerca de Elia Kazan e Erich von Stroheim e prometi trazer casos brasileiros.

Creio que o mais conhecido é o do cantor Wilson Simonal. Sucesso nacional e internacional na década de 1960, com seu jeito 'malandro' e 'cafajeste' de lidar com a vida, teve a carreira estraçalhada a partir dos anos 70 quando 'teria contribuído' com o regime militar (1964-85) com informações que ajudaram a combater comunistas. A partir daí, viu seu mundo ficar de ponta-cabeça.

Não foi convidado a programas de TV, nem a shows. Sem dinheiro e sem fama, sucumbiu ao álcool e à depressão. Morreu de cirrose em 2000, aos 62 anos, esquecido pelo público. Em 2009, os cineastas Micael Langer, Cláudio Manuel e Calvito Leal fizeram o documentário 'Ninguém Sabe o Duro que Dei', desmistificando os rolos em que Simonal havia se metido.

Esclareceram: foi vítima da inveja, com pitadas de racismo (não esse 'mimimi' de hoje) e que jamais denunciou ninguém em lugar algum. Era só ingênuo deslumbrado com a tietagem, nada mais. Luís Sérgio Person (1936-76), diretor de 'São Paulo S/A' (1965) e 'O Caso dos Irmãos Naves' (1967), também comeu o pão que o diabo amassou. Tal como Stroheim, era vanguardista.

Além disso, a fita de 67 mexeu com os brios dos militares porque mostrava cenas de tortura. Resultado: teve dificuldades em conseguir orçamentos a outras produções e foi trabalhar com publicidade, batendo de porta em porta oferecendo seus filmes comerciais, e muitas vezes sendo humilhado. Voltou ao cinema antes de morrer num acidente de carro. Em 2007, a filha Marina lançou o documentário 'Person', onde percebe-se a tristeza por ter o pai vivido aquele tipo de coisa.

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Coisas de Cinema

Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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