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Publicado em 03/02/2017 às 12h27
Jack pendura as sobrancelhas


RODRIGO ROMERO

Em agosto de 2014, escrevi aqui sobre o sumiço de Jack Nicholson das telonas. Estava, àquela altura, há 4 anos sem rodar um longa e tinha 77 anos. Corta para 19 de janeiro deste 2017. Oficialmente, sua aposentadoria é anunciada por amigos. Em abril o ator completará 8 décadas de vida. Triste.

Quando se é fã de um monstro sagrado do nível dele, como é meu caso, acompanhar o desfecho da carreira é difícil. Ainda mais da forma que foi, assim... Jack Nicholson não chegou à entrevista coletiva e disse. Há uns meses a fofoca apontava-o como portador de Alzheimer. Era mentira. Fiquei longe de assistir ao auge de sua trajetória entre meados dos anos 70 e dos 80. Tudo o que fazia era de ótimo pra cima.

Bobagem relembrar 'Chinatown' (1974), 'Um Estranho no Ninho' (75), de 'O Iluminado' (80), 'Laços de Ternura' (1983) etc. São clássicos hoje em dia. É engraçado enxergar desta forma. Mas o arrojo da trajetória impacta.

Nicholson trabalhou com diretores dos mais diversos calibres: de Roger Corman a Roman Polanski, Dennis Hopper a Bob Rafelson, passando Michelangelo Antonioni e Milos Forman, até chegarmos a Hector Babenco , Stanley Kubrick, James L. Brooks e Mike Nichols. Nesta gama de ideias, formatos e disciplinas, Nicholson extraiu técnicas refinadas de incorporar o seus personagens e conseguir imprimir a marca pessoal na mesma toada e regularidade.

Se compararmos os loucos Mc Murphy e Jack Torrance com os 'normais' Breedlove e Udall (de 'Melhor é Impossível', 1997), pondo na mesa também Jack Nipier (de 'Batman', 89) e Gittes, achamos na baciada um ator, antes de tudo, apaixonado, consciente da profissão. Com 3 Oscars, 7 Globos de Ouro e 3 Baftas na estante, escreveu sua história na sétima arte. Ao pendurar suas sobrancelhas, vai curtir os milhões de dólares no resto da vida que lhe resta.

Não tem como condená-lo. É uma pena aos admiradores. Mas caso a saudade bata forte, temos os registros de suas performances no vídeo. Obrigado, Jack. Pra mim, e para outros tantos, você foi o melhor ator do cinema dos últimos 60 anos. Espero que a Academia de Artes faça-lhe justiça e entregue um merecidíssimo Oscar pelo conjunto da obra. Se Jackie Chan (!) recebeu, a J. Nicholson passa a ser obrigação.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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