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Publicado em 11/03/2016 às 10h54
Fumaça nos olhos


RODRIGO ROMERO

Bater Brie Larson no Oscar era tarefa improvável, mas Charlotte Rampling tinha qualidades a tanto. O filme '45 Anos' praticamente passou em branco do grande público brasileiro. Estreou em outubro do ano passado, ficou uma ou duas semanas em cartaz e foi limado.

Com história ultradelicada e com direção do desconhecido Andrew Haigh, o longa mostra os preparativos de Kate (Charlotte) à festa de 45 anos de casamento. Nos 40, o marido Geoff (Tom Courtenay, ótimo, merecia indicação) estava doente e a celebração teve de ser cancelada. Porém, 5 dias antes do evento dos 45 anos, Geoff recebe uma carta: o corpo de seu primeiro amor foi achado congelado nos Alpes Suíços, durante a excursão em que ele também estava presente. A notícia o abala e faz dele um captador de lembranças fatais e dilacerantes. Como lidar com isso? Kate precisa saber tratar do assunto com elegância, afinal amigos e parentes aguardam a comemoração.

Confesso que não conhecia Charlotte. Atriz inglesa de 70 anos, tem 52 de carreira. É muito conhecida no Reino Unido por trabalhos na tevê. Logo se percebe que se está frente a frente com a profissional que sabe onde pisa e não tem medo de envelhecer pra desempenhar qualquer interpretação. Toda a transformação sentimental por que passa na fita é impressionante e a personagem se torna tal qual a antiga namorada do marido: a morta-viva.

O roteiro é correto e leva o público a notar a rotina pesada a que estão submetidos o casal: o passeio com o cachorro pela manhã, o almoço, o jantar junto, e, por fim, o sono. Por aí passam decepções. Geoff se torna um ser humano intransigente e Kate, uma pessoa que ela não é, ou que sempre foi, mas desconhecia: triste.

E nada em '45 Anos' ilustra melhor o que é o drama do que a sequência final, no baile do 45º aniversário, quando a música Smoke Gets in Your Eyes (Seus Olhos Esfumaçados) toca e Geoff e Kate dançam. Não revelarei como, mas se você deseja ter aula de como se atua sem dizer palavra, mire em Charlotte nestes minutos finais. É pra aplaudir.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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