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Publicado em 05/02/2016 às 11h10
Carol, uma mulher


RODRIGO ROMERO

'Carol' (em cartaz há cerca de duas semanas) merecia mais sorte nas indicações ao Oscar, que ocorre dia 28? Indicado pra Roteiro Adaptado, Atriz (Cate Blanchett, a favorita), Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Figurino, Fotografia e Trilha Sonora, poderia estar facilmente também nas categorias Melhor Filme e Diretor.

Trata-se de uma produção dirigida por Todd Haynes, do enigmático 'Não Estou Lá' (2007). Carol, o filme e a personagem, é elegante, refinado, mas inseguro. Erram os que pensam ser o longa de bandeira homossexual... Acima de tudo, aborda o reconhecimento do primeiro amor pela vista de Therese Belivet (Mara, perfeita ao papel). Aspirante a fotógrafa, a moça ganha a vida numa loja de brinquedos. É lá o local onde ela e Carol Aird (Blanchett) se veem. A atração é imediata. Deste instante em diante, ambas, mais a protagonista, casada com Harge (Kyle Chandler) e mãe de Rindy, enfrentam preconceitos ferozes por partes de todos. O drama se passa em meados da década de 50.

O filme conta pontos demais por ter Blanchett em seu centro. É uma atriz fora dos padrões porque é apurada, chique. Australiana de nascimento, 46 anos, alta (1.75 metro), loira de olhos claros, poderia cair na masmorra das iguais, na qual infelizmente Nicole Kidman insiste em derrapar. Mas não. Fez trabalhos significativos nos últimos tempos (ganhou Oscar por 'Blue Jasmine', 2013, coadjuvante por 'O Aviador', 2004, quando interpretou Katharine Hepburn com uma incrível desenvoltura; esteve em 'Elizabeth', I e II, 1998 e 2007, 'Babel', 2006 etc).

Aliás, 'Carol' lembra de maneira vaga 'Notas Sobre um Escândalo' (2006), quando duelou com Judi Dench numa bonita briga de protagonismo. Apostas a apontam a conquistar sua terceira estatueta. Se eu votasse, marcaria o X em Brie Larson, brilhante em 'O Quarto de Jack' (leiam comentários na próxima coluna, daqui a 2 semanas, após o Carnaval).

'Carol' por pouco não se enquadra num 'road movie' e possui fotografia perfeita para o tratamento da fita. Haynes soube manejar o blocked e teve tarefa 'fácil', pois Blanchett deve ter espírito inglês. Acerca de Mara, é outra profissional que mostra a que veio. É impressionante como se modifica de um filme para outro. É só recordarmos de 'Os Homens que Não Amavam as Mulheres' (2011) e vocês saberão o que digo. Portanto, a película juntou duas intérpretes de ponta numa trama recheada de mel e fel.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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