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Publicado em 22/01/2021 às 16h34
Bergman no pós-guerra


RODRIGO ROMERO

Começo o ano com um dos mais belos filmes de Ingmar Bergman: 'Chove no Nosso Amor' (1946). Disponível na íntegra no youtube, o drama mostra duas figuras azaradas: David (Birger Malmsten) e Maggi (Barbro Kollberg). Ele foi preso. Na liberdade condicional, tenta recomeçar a vida e quer algum biscate.

Ela deseja ser atriz, mas engravidou dum desconhecido e teve de fugir à cidade do interior para aspirar a segunda chance. De repente, trombam na estação de trem, num dia de chuva forte. Passam a noite juntos e têm o desejo de retomar a existência.

A dupla, no roteiro baseado na peça de teatro 'Brava Gente', do norueguês Oskar Braaten, representa tudo o que a sociedade da época rejeitava. No entanto, mesmo quando são vítimas de espertalhões, a consequência é a acusação sobre eles de roubo e a expulsão do bangalô onde vivem - David chega a comprar a moradia, mas é enganado pelo senhorio, pois o terreno será apropriado pela prefeitura para construir casas populares, o casebre é pré-fabricado, o dono o leva a vários lugares onde aplica golpes.

No meio das desgraças, o casal é corriqueiramente auxiliado pelo personagem que narra a história, o tal Homem do Guarda-chuva do título da coluna (Gösta Cederlund), espécie de anjo com auto ironia, comiseração. 'Chove no Nosso Amor' é o 2º longa-metragem de Bergman, que assina apenas uma das cenas do blocked, a do julgamento final. É nela que reside o linguajar afiado e moralmente religioso que permearia toda a trajetória do cineasta.

Cederlund surge como advogado substituto e defende os protagonistas. Relevante dado curioso é a participação do ator Gunnar Björnstrand, a 1ª de tantas dele em filmes bergmanianos, como o funcionário público Purman, encarregado de despejar David e Maggi.

Purman termina por levar pontapés e socos de David e assim o julgamento é provocado. Toques de neorrealismo estão presentes na fita, bem como diferenças sociais e medos do pós-guerra, onde praticamente todos estavam perdidos, com receio de que o conflito bélico voltasse a qualquer momento. Trata-se Bergman antes dos 30, cru, recolhendo inspirações à carreira. Duração: 95 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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