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Publicado em 22/09/2014 às 10h54
Aqueles ‘clássicos’


RODRIGO ROMERO

Todo mundo tem aquele filme que viu umas 50 vezes. Ou mais. Geralmente são esses longas-metragens da década de 80. Como são cotidianamente exibidos na TV, as pessoas que se interessam pela obra ou são fãs e param para ver. E que o digam os apreciadores de 'Quero Ser Grande' (1988) e 'Curtindo a Vida Adoidado' (86). Mas não para aí. 'As Patricinhas de Beverly Hills' (1995), 'História Sem Fim' (1984) e 'A Lagoa Azul' (1980), posso afirmar, formaram a geração de iniciantes à adoração ao cinema. E notem que nem mencionei 'Riquinho' (1994), 'Esqueceram de Mim 1 e 2' (90 e 1992) e 'Uma Linda Mulher' (1990). Eu, por exemplo, tenho os meus. 'Superman' (1978) foi o filme de minha infância e creio, sem exagero, tê-lo visto mais de 100 vezes. 'Batman' (89) também, mas a quantidade de audiência é menor: cerca de 70, 80 vezes, por aí... Porém, há aqueles que sem a gente querer nos contaminam, sem fazer parte da nossa parcela de gostos. 'Karate Kid: A Hora da Verdade' (1984) me atingiu direto, sem dó. 'Forrest Gump' (1994) e 'A Espera de um Milagre' (1999), idem. São fitas que podem ser ou não dotadas de extrema qualidade, ganhadora de Oscars, ou toscas e idiotas e por isto, cults com o passar do tempo. São casos de 'Loucademia de Polícia' (1984) e o 'Dirty Dancing' (1987). De todos eles, 'Ghost: Do Outro Lado da Vida' (90) é o que me causa sensações estranhas e curiosas.

Há determinadas cenas no filme que rio demais por motivos alheios à trama. O personagem de Vicent Schiavelli. Calma, você sabe qual é. Ele é o homem-fantasma que está no metrô e se sente o dono do território e se irrita quando Sam (Patrick Swayze) 'invade' o local e pede a ele que o ensine a tocar nos objetos e pessoas. A sequência de V. Schiavelli esmurrando a caixa onde estão os cigarros e dizendo 'Oh, queria só uma tragadinha... Apenas uma tragadinha...' é hilária. E Sam, com aquela cara de bobo, fica sem reação. Aliás, a cara de sem-noção de Swayze durante todo o filme é impactante. A interpretação de Woopi Goldberg, idem. Ela, cá entre nós, é íntima da sétima arte. Mesmo em filmes ditos engraçados, mas bem sem graça, como os dois 'Mudança de Hábito' (1990, 1992), ela esbanja a categoria que tem. Em 'Ghost' não é diferente. Como a paranormal de araque Oda Mae Brown, a atriz está impecável e rouba todas as cenas em que aparece. Demi Moore, coitada, até se esforça para, em frente às cameras, demonstrar a emoção de ter perdido o noivo, mas convence bem pouco -e isto que eu já assisti à película dezenas de vezes. Swayze e Schiavelli se saem bem, assim como os outros dois coadjuvantes, os personagens Carl (Tony Goldwyn) e Willie (Rick Aviles). O primeiro, como o amigo traidor do protagonista. O segundo, como assassino de aluguel, comparsa de Carl. Não decepcionam.

O diretor Jerry Zucker rodou 'Ghost' aos 39 anos. Havia estreado com 'Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu' (1980), imenso sucesso e outro longa de memória de uma geração. Após a história dos fantasmas, filmou somente 'Lancelot: O Primeiro Cavaleiro' (1995) e 'Tá Todo Mundo Louco' (2001), ambos ruins e fracassados. Zucker ficou famoso como roteirista de obras como trilogia de 'Corra que a Polícia vem aí' (1988, 91, 94). O que pouca gente sabe é que, além de P. Swayze ter tido uma morte precoce, em 2009, aos 57 anos, por conta de câncer no pâncreas, outros dois atores também tiveram desaparecimentos repentinos e jovens: Schiavelli e Aviles. O fantasma do metrô se foi um dia depois do Natal de 2005, igualmente aos 57 anos. R. Aviles contraiu aids devido ao abuso do uso de heroína e devido a isto sucumbiu em 95, aos 42 anos. Esta dupla é a típica situação que quando você os vê na TV ou no cinema lembra-se de ter visto algum filme deles, mas custa a achar resposta. Para dar o fim ao texto, recordo outros títulos que vimos 30, 40, mais de 50 vezes: 'Uma Babá Quase Perfeita' (93), 'Sem Licença Para Dirigir' (1988), 'Construindo uma Carreira' (1991), 'Debi & Loide: Dois Idiotas em Apuros', 'O Máskara', 'Um Tira no Jardim de Infância' (estes de 1994), 'Mestres do Universo' (1987), 'Aracnofobia' (90), 'Os Goonies' (85), 'Um Príncipe em Nova Iorque' (88) e 'Conan: O Bárbaro' (82).

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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