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Publicado em 04/12/2020 às 15h03
A Volta do Rei


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

A morte de Diego Armando Maradona, em 25 de novembro passado, provocou uma verdadeira comoção nacional na Argentina. Seus restos mortais foram velados na Casa Rosada.

A despeito da pandemia traiçoeira e mortal, uma multidão ensandecida sitiou, invadiu e depredou a sede do governo. Tudo previsível, dada a idolatria dos nativos pelo inesquecível futebolista.

Maradona nem de longe foi modelo de conduta, seja como desportista ou cidadão. Derrotado pelo vício, ladeado por ditadores e movido a declarações polêmicas, sua figura mórbida chocava o público.

Mesmo assim, nunca deixou de esbanjar carisma e espontaneidade. Talvez por isso, o conceito de sua genialidade futebolística permaneceu intacto e intenso no coração da galera mundial. 

Na contramão da mentalidade de subdesenvolvimento do rival, Pelé sempre primou pelo cuidado com a imagem. Fissurado pela unanimidade, cada palavra dele veste à perfeição o figurino de cidadão do mundo.

Entretanto, nas últimas três décadas, poucas figuras públicas receberam tantas críticas conceituais do brasileiro médio como Pelé. Seu sucesso na vida, bom-mocismo e postura chapa branca incomodaram.

Apesar de ser recebido como um deus encarnado por onde passa, como ninguém é perfeito, as contradições despontadas fizeram o Rei do Futebol chegar a ser temporariamente despejado do panteão afetivo popular.

A gota d'água foi o reconhecimento forçado da paternidade duma filha concebida durante a juventude ludopédica. O brasileiro até tolerava seu desengajamento racial e amor aos poderosos, mas frieza humana jamais!

Como se boa parte dos críticos não fosse formada por uma massa de devedores imotivados e contumazes de pensão alimentícia, fugitivos do exame judicial de DNA paterno e de senhoritas que periodicamente buscam nos aborteiros clandestinos a solução imediata de seus embaraços.

Se o calo apertar muito, o brasileiro também sabe ser hipócrita, contraditório e leviano. Um caso sério a ser estudado pelos especialistas em psicologia coletiva. 

Ao receber as homenagens por oito décadas de vida, eis que o Rei foi perdoado e finalmente visto como humano. Pouco tempo depois, Maradona falece e a solidariedade oportuna avultou moralmente o outrora renegado Pelé, agora restaurado ao trono de amigo do peito, nos braços do povo.

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Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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