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Publicado em 17/06/2013 às 19h01
A vitória do fracasso


RODRIGO ROMERO

No livro 'Ainda Sou Eu', Christopher Reeve (1952-2004) fala sobre a sua carreira no teatro e no cinema, além, claro, de esmiuçar a tragédia do acidente que lhe deixou paralisado do pescoço para baixo, os traumas dos hospitais etc. A certa altura, ao abordar o seu mantra Superman, o ator explica como o papel lhe caiu às mãos, os esforços para aprimorar a parte física e, então, vai: 'quanto menos eu falar sobre Superman IV, melhor.' Apenas estas palavras acerca da fita de 1987, por qual razão? É minguada, e simples, a explicação. Após dois sucessos e meio da franquia do Homem de Aço (1978, o mundo aos pés; 1980, segue a veneração; e 1983, o mito inicia a queda), estava fora de cogitação um novo longa do super-herói. Mas os anos 80, é bom lembrar, economicamente foram chamados de 'a década perdida'. Fora isso, a Guerra Fria estava morna, depois da quentura ameaçadora de cerca de 20 anos antes. Porém, os ranços cheiravam. Não à toa, o cinema era uma alternativa estupenda para os estadunidenses mostrarem o seu nojo aos russos, os inimigos de então. Um exemplo é 'Rocky IV', de 1985, quando o personagem eterno de Sylvester Stallone encara Drago (Dolph Lundgren, He-Man de 'Os Mestres do Universo' - 87), o invencível lutador russo que matou Apollo, amigo de Rocky, em uma luta. Se você não leu direito, repito e reescrevo aqui a nacionalidade do 'maldoso' Drago: russa.

Se Rocky pode, porque Superman não? A guerra nuclear estava a postos para dar as cartas e nela foi inspirada 'Superman IV: Em Busca da Paz'. Escrito a seis mãos - Christopher Reeve, Mark Rosenthal e Lawrence Konner -, tinha a clara intensão de provocar a então União Soviética e colocar a corrida armamentista no seu devido lugar, ou seja, com confetes aos Estados Unidos. Na história, o Planeta Diário é comprado por um empresário inescrupuloso que quer transformar o jornal em uma publicação sensacionalista, David Warfield (Sam Wanamaker), para desespero do editor-chefe Perry White (Jackie Cooper). David e a filha, Lacy (Mariel Hemingway) querem recriar cadernos, enxugar a folha de pagamento e ter o lucro, acima de tudo (algo semelhante com os dias de hoje?). Para tanto, veem em Jeremy (Damian McLawhorn) a celebridade. O estudante escreveu uma carta ao Superman cobrando a posição sobre a disputa nuclear. Diante da dúvida de resposta do herói, o 'Planeta Diário' mancheta: 'Superman manda garoto parar de chatear'. Enquanto isso, Lex Luthor (Gene Hackman) e o sobrinho Lenny (Jon Cryer) bolam um plano mirabolante para aniquilar o rival: roubam um fio de cabelo dele e fazem nascer o Homem Nuclear (Mark Pilow), com poderes maiores aos de Superman.

Nos bastidores, problemas. Alexandrer e Ilya Salking, produtores dos três primeiros filmes, não quiseram seguir bancando os trabalhos após os destroços produzidos com 'Superman III' (1983), de roteiro trôpego e humor forçado demais com a tecnologia em primeiro plano. Esta, sim, é uma fita desatualizadíssima a nossos dias. Ao caírem fora, a Cannon, empresa de fotografia, assumiu o posto. No caminho, uma pedra. A crise financeira levou a Cannon a cortar mais da metade do orçamento - de US$ 36 milhões para US$ 17 milhões. E isto foi o fim de 'Superman IV'. A partir daí, improvisos e bagunças se somaram. Usaram efeitos especiais desgastados de 1977/78, cortaram muitas cenas e C. Reeve entrou no roteiro para ver se conseguia o milagre de ser herói também fora dos sets. Não deu. Sidney J. Furie, diretor canadense, foi escalado. Desde a primeira sequência, no espaço, salvando os cosmonautas russos da morte, nota-se que Super-Homem velho de guerra já não voa como nos voos de outrora, cenas na China, Rússia etc tiveram de ser rodadas em cenários esdrúxulos nos EUA. Não se poderia perder a pose. Com somente 89 minutos de duração (1º tinha 144), fracassou em diversos aspectos, sendo indicado ao escárnio do Framboesa de Ouro. Mas, saibam, leitores: revendo-o hoje, prefiro 'Superman IV' a estes pobres diabos de blockbusters. Vem aí, por exemplo, 'Homem de Aço' (2013), e já condeno por antecipação. Há filmes que não devem ser refeitos nunca. Cotação: regular.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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