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Publicado em 03/02/2017 às 12h26
A rua da saudade


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Na última segunda-feira (30), comemorou-se o Dia Nacional da Saudade. Bizarra efeméride - saudade se sente, não se comemora. Mais estranha ainda é a abrangência nacional. Para quem acredita que saudade é uma palavra exclusiva da Língua Portuguesa, o Dia Nacional soa pleonástico.  Mas existe saudade internacional? Talvez sim, e me lembro daquela rica senhora que chora de saudade da excursão que fez com o marido e uma turma animada para o Irã. Também nosso fiel leitor Daniel Rosa saudoso ficou da Rua Lucinda Pires à época em que tinha calçadão, Senadinho a pleno vapor e Jacareí conhecida como Suíça Brasileira.

Atenas Paulista, Suíça Brasileira. As antonomásias e epítetos demonstram que nossa urbe é de causar suspiros internacionais de saudade. Quer mais? É divisar no outeiro de Vila Branca os predinhos estilo pombal e lembrar de que até recentemente também fomos a Alemanha Oriental do Vale, o modelo da revolução bolivariana em marcha até São José dos Campos, o penúltimo reduto coxinha com catupiry, sonho que mal chegou a subir o morro da Avenida São João, com os carros ilusórios da montadora parada.

Vale mais a eterna Rua Lucinda Pires, que é de verdade e sempre esteve lá. A loja de utilidades domésticas é um show à parte. Tem tevê com seletor de canais, ventilador de pedestal e três velocidades, micro-ondas marrons, jarros de prata e escarradeiras. Tão pitoresco acervo e aqueloutro letreiro da Loja Bidu fizeram-me lembrar com carinho do inesquecível João. E a loja seguinte, então? Encontram-se todas as novidades desconhecidas da juventude. Radinho de torcedor no estádio, com capa de couro e alça de punho. PX amador para noites de solidão. Telefones com fio, gancho e discagem. Conjunto de vitrola (agulha inclusa), amplificador, toca-fitas cassete e caixas gigantes.

Derradeiramente, o tremedal da crise econômica tisnou a fímbria do vestido de Dona Lucinda, logradouro sempre trajado à domingueira. A chiquérrima butique infantil da esquina cerrou as portas. Mas é a Rua da Saudade, basta virar à esquerda no final para confirmar: do outro lado da calçada, verás parte do letreiro da Fábrica de Biscoitos.

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O Quinto Poder

Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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