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Publicado em 16/10/2020 às 13h37
A religião em debate


RODRIGO ROMERO

Muita gente afirma ser feminista o filme 'Agnus Dei' (2016, disponível na Netflix). Discordo. Há na trama a clara referência às mulheres corajosas e fortes, sobretudo a médica, em plena Polônia da década de 1940, estraçalhada no pós-guerra. Porém, o longa-metragem vai além de formalismos e categorias, pois se encaixa em várias.

O roteiro mostra Mathilde, profissional da Cruz Vermelha francesa que descobre que dezenas de freiras beneditinas moradoras de um convento foram estupradas por soldados, estão grávidas e prestas a dar à luz. A jovem, ateia e antes escalada para amparar apenas dos compatriotas feridos em campos alemães, começa, de modo secreto, até um tanto relutante, a ajudar as religiosas.

Passa por situações em que lida com o julgamento das próprias madres, que se sentem culpadas por terem 'violado' o voto de castidade. Algumas sequências são fortes, como a de um aborto. 

Apesar de às vezes cair nas resoluções modestas do roteiro, a fita é capaz de se sustentar porque tem empatia e resiliência, palavras que hoje em dia estão tão gastas que as escrevo com o pé atrás. Fontaine demonstra a serenidade do cotidiano do convento. Não tem pressa nos cortes e a edição trabalha bem.

A fotografia é outro ponto positivo. Paisagens brancas e cinzas, cobertas pela neve excessiva do inverno europeu ('Agnus Dei' se passa em fins de 1945), dão o tom sombrio e simultaneamente arrebatador da história de fé e superação. Na medida em que Mathilde visita o convento, à sua racionalidade médica são acrescentadas pitadas de condolência e comiseração. E as freiras incorporam às suas devoções doses cavalares de afinidade, compreensão e sintonia com o trabalho da médica. Esse 'conviver' nada passivo é o ponto chave para engatar a simpatia do público com o filme.

Cada lado - as religiosas e a moça da saúde - cede em alguns quesitos e o desfecho, apesar de resvalar no piegas, não compromete. É daquelas obras que quase caem na mesmice, mas a um passo do abismo consegue a redenção e todos se cumprimentam, como se fossem ser felizes para sempre. Duração: 115 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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