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Publicado em 11/11/2016 às 12h07
A política da boa vizinhança


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

O texto da última coluna repercutiu mal. Elenquei alguns conflitos de vizinhança noticiados ao Ministério Público. Sorte que me esqueci do caso do louco criado solto que brandia o facão aos vizinhos. Choveram críticas de associações de moradores, que temem mudar o nome de amigos para inimigos de bairro. Para esta edição, o diretor de redação exigiu-me retratação cabal e sincera. Não tenho alternativa - ou exerço a política de boa vizinhança, ou vou para o olho da rua.

Tem toda razão quem fala bem dos lindeiros. Vizinho quebra cada galho: puxa uma cadeira na garagem em noite de visita de candidato, faz gato para quem está apertado, engrossa o grupo de oração, completa o time no racha do condomínio, dá partida no carro para não acabar a bateria quando a gente viaja, compra aquela rifa com nomezinhos de mulher, empresta engradado para a festinha, o fósforo para acender a churrasqueira e vela quando acaba a força. 

Eu mesmo, quando morei num prédio, tinha um espalhafatoso vizinho andar abaixo que me ensinou a apreciar boa música. Todos os dias, anos a fio, ele (e todo o edifício, por tabela) escutava sua canção favorita, Sultans of Swing. Foi assim que, embora tenha perdido boa parte da audição, descobri que partituras de qualidade não enjoam.

Em outro arranha-céu, fui vizinho de conselheiro do São Paulo Futebol Clube. Quando o Tricolor foi tricampeão mundial, ele me presenteou com uma camiseta autografada pelo elenco que entrou para a história. Aí bastou enquadrar a relíquia e leiloá-la em Londres para conseguir ficar um ano inteiro sem me lembrar dos juros do cartão de crédito e do cheque especial. Ah, bons tempos que não voltam mais!

Não me levem a mal, mas minha paciente professora de piano é outra cidadã agraciada pelo destino com um vizinho exemplar. Quando ela e o marido viajam, o magano aparece todas as noites na mansão vazia para dar um trato discreto na gata adolescente. Bom vizinho é assim mesmo - pode até não ter a chave de casa, mas tem a chave do nosso coração.

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O Quinto Poder

Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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