Publicidade
Domingo, 13 de Junho de 2021 | você está em »principal»Blogs»Coisas de Cinema
Publicado em 11/12/2020 às 15h10
A hora da estrela


RODRIGO ROMERO

As minhas retinas ainda guardam, espantadas, a imagem da entrevista de Clarice Lispector a um programa da TV Cultura em 1977, poucos meses antes de sua morte. Vi-a em 2004 numa dessas reprises que a emissora felizmente exibe. Agora, neste dezembro de 2020, quando a escritora ucraniana-brasileira chega ao centenário, comento aqui sobre 'A Hora da Estrela' (1985), longa-metragem baseado no best seller de Clarice e que revelou a atriz Marcélia Cartaxo ao mundo.

Dirigido por Suzana Amaral, que por sinal morreu em junho deste 2020 infindável, a fita reproduz de modo fiel o trágico destino de Macabéa, a nordestina de 19 anos, semianalfabeta, órfã, que vai a São Paulo em busca de emprego. Vai morar uma pensão bem pobre e é indiferente às emoções.

Ao conhecer o conterrâneo Olímpio, um metalúrgico, começa a namorá-lo. Mas a relação dura pouco porque Glória rouba o amado da protagonista, por recomendação de uma cartomante. A amiga indica a adivinha a Macabéa, que decide saber sobre o seu futuro. A 'paranormal' revela que a vida da moça mudará para melhor. 'Você ganhará uma grande fortuna e se casará com um gringo lindo'.

Porém, ao sair da consulta, é atropelada por uma Mercedes e morre instantaneamente. No elenco, além de Marcélia, estão José Dumont (Olímpio), Fernanda Montenegro (cartomante) e Tamara Taxman (Glória). É a segunda vez que escrevo sobre 'A Hora da Estrela' neste espaço - a primeira foi em 2013. Resolvi emprestar o título do filme para homenagear Clarice, figura tão doce e capaz de se doar ao máximo por uma obra.

Apontado pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema como um dos 100 melhores filmes nacionais do século 20, a fita ganhou vários prêmios, como o Urso de Prata e atriz no Festival de Berlim - recebeu também o prêmio da crítica. Suzana levou o troféu de diretora no Festival de Havana e conquistou 6 taças no Festival de Brasília. O emblema da película é a fatal pergunta de Macabéa a Olímpio em uma de suas discussões sobre a vida. Ela o indaga: 'Ser feliz serve para quê?'. Basta esta questão para resumirmos muita coisa na nossa singela existência. Duração: 96 minutos. Cotação: bom.

Comentários (0)

ATENÇÃO!

Os comentários publicados neste espaço são de responsabilidade de seus autores e não expressam
necessariamente a opinião do Diário de Jacareí


Por favor, faça o login antes de comentar

13 JUN
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Notícias
facebook
Artigos
Perfil do Blog
Coisas de Cinema

Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
Arquivo
Publicidade
14/01/2021
Santos e Palmeiras disputam a final da Taça Libertadores no dia 30 de janeiro, às 17h, no Maracanã. Na sua opinião, qual dos dois será o campeão?

Nenhuma enquete encontrada!

Logos e Certificações: