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Publicado em 04/06/2021 às 13h43
4O anos sem Glauber


RODRIGO ROMERO

Para lembrar as 4 décadas sem o, para mim, melhor diretor brasileiro do século 20, Glauber Rocha (morreu em 23/8/1981), analiso hoje um documentário pouco visto até mesmo pelos cinéfilos tupiniquins: 'Cinema Novo', de 1967. Produzido especialmente à emissora alemã ZDF, o média-metragem aborda a difícil construção da Sétima Arte num país subdesenvolvido: produção, autores, filmagens.

O diretor Joaquim Pedro de Andrade foca 6 realizadores trabalhando no RJ: Leon Hirszman prepara o roteiro, com o poeta Vinícius de Moraes, de 'Garota de Ipanema'; Glauber roda 'Terra em Transe'; Arnaldo Jabor edita 'Opinião Pública'; Nelson Pereira dos Santos filma 'El Justicero'; Domingos de Oliveira com 'Todas As Mulheres do Mundo', com sua captação de recursos à finalização e dublagem; e a estreia de 'A Grande Cidade', de Carlos Diegues. Muita gente pensa, erradamente, que o Cinema Novo nasceu fruto da rebeldia contra o regime militar, a partir de 1964.

Quem batizou o movimento foi o crítico fluminense Ely Azeredo bem no começo dos anos 1960, quando, ao ver os primeiros trabalhos de Nelson e Glauber, inspirados no Neorrealismo Italiano de 10, 15 anos antes, teve a lâmpada acesa sobre a cabeça. No filme de Andrade, disponível na íntegra no youtube, vemos imagens raríssimas de, por exemplo, a 1ª leitura do blocked de 'Terra em Transe' com praticamente o elenco todo - Francisco Milani, Danuza Leão, Hugo Carvana, José Lewgoy, Jardel Filho. Noutra tomada, pequena reunião dos cineastas num botequim - Jabor, Paulo César Saraceni, Glauber, Diegues etc. E instantes soberanos de Glauber dirigindo Paulo Autran e Jardel, e o trabalho de Luís Carlos Barreto como fotógrafo, iluminador.

Nesta altura, militares já governavam há 3 anos, mas não havia o endurecimento da censura e que tais, que viria após o Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968. Enquanto isso, os cinemanovistas, da qual 100% eram da chamada 'esquerda festiva', a classe média alta carioca, tão criticada e ironizada por Nelson Rodrigues em suas Confissões, davam o tom das pautas, inclusive com repercussões internacionais. Glauber estava são (enlouqueceria em meados da década de 70, entupido pelo LSD e demais psicotrópicos). Duração: 32 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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