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Publicado em 27/04/2015 às 17h05
‘Sargento Getúlio’


RODRIGO ROMERO

Eu sou desses. Começo a admirar a certas personalidades após a morte delas. Poderia citar algumas, mas prefiro não. Falo de uma hoje, de propósito, mas a comentar uma de suas obras-primas. Acabei de ler faz alguns dias 'Sargento Getúlio', de João Ubaldo Ribeiro. Romance da terra, linguagem do ar do Nordeste, Sergipe para ser mais específico. O livro de 1971 fez o rei de Itaparica ser conhecido no país. Ao tomar contato com as páginas, Lima Duarte decretou: levaria 'Sargento Getúlio' ao cinema.

Rodado em 1978 sob direção de Hermanno Penna, a história ganha vida de uma forma reta, regular. Na época da filmagem, Penna tinha 33 anos. Lima, 48. Ambos estavam à flor da pele. O ator parece ter nascido para esse papel. Ubaldo colaborou com o roteiro e incluiu frases novas na fita. É claro que o livro possui mais requintes de crueldade, riqueza de detalhes e a imaginação do protagonista solta, à vontade. Por conta da burocracia do cinema brasileiro, o longa entrou em cartaz somente em 1983.

A aventura vai de Paulo Afonso, cidade da Bahia, a Aracaju, capital sergipana. Getúlio Santos Bezerra precisa transportar um preso político de uma cidade a outra. É a incumbência que 'o chefe' lhe deu e Getúlio, que se autodenominou sargento, precisa cumprir. Ao lado de Amaro, o motorista que quase nada fala, mas tem humor de criança, o personagem se vê perdido ao saber que a missão é abortada por conta de mudanças de governo. O que fazer? Seguir com o preso ou se livrar dele, viver sua vida?

Penna e Lima foram felizes ao adaptar o livro praticamente 100% fiel à telona. Frases ditas por Lima soam como a morte a galope, ao lado da indecisão de chegar ao fim com a tarefa. Ao mesmo tempo, a veia de cangaceiro de Getúlio salta forte. Ele se imagina o Dragão Manjaléu, líder dos cangaceiros, e nem Lampião teria lugar ali. O preso sofre com a maldade de Getúlio. Seus dentes são arrancados, o corpo é amarrotado pelos tantos sopapos, humilhação fica presente. O preso nem sequer tem nome.

Apesar de tudo, Getúlio é ingênuo, fraco de pensamento, submisso. Suas malvadezas ficam por conta do esforço de se manter em pé, pois há gente mais forte que ele. Tanto livro como o filme transmitem essa intensidade da solidão.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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