Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020 | você está em »principal»Blogs»Coisas de Cinema
Publicado em 14/02/2020 às 15h59
Metáforas em buracos


RODRIGO ROMERO

A surpresa foi zero quando se anunciou que 'Parasita' (2019) venceu o Oscar de filme estrangeiro. Mas a surpresa foi de zero a mil quando foram anunciados os outros 3 prêmios - Filme, Diretor e Roteiro Original.

Barbada e torpor à parte, é bom que se diga que hoje a sétima arte se escora em roteiros cuja crítica ao capitalismo é o item primordial à ovação. 'Parasita' mostra que 'para se dar bem na vida' às vezes é necessário dar um golpe aqui e ali, ou se sujeitar a trambiques que podem prejudicar 'A' ou 'B' porque a inveja corrói quem, nas palavras dos defensores da causa, 'não teve chances na vida'.

Esses dias ouvi a velha expressão que representa a 'revolução': 'Opressores X oprimidos'. Tive vontade de vomitar. O longa, da Coreia do Sul, é dirigido por Bong Joon Ho, que escreveu o roteiro: a família Kim, composta por 4 elementos - pai, mãe e o casal de filhos - está desempregada e mora num apartamento que parece um porão habitável.

Vivem de biscates, como arrumar caixas de papelão para pizzas, e celebram pequenas vitórias. Quando o filho, por acaso, recebe proposta de trabalho de lecionar inglês a uma família rica, os Park, os Kim se veem diante da chance de se erguer socialmente, mas por meio de sucessivos golpes.

Bong tem a preocupação de ilustrar e justificar ações dos personagens jogando no ar frases irônicas e sequências que misturam humor e suspense. A mansão dos Park, por exemplo, foi projetada por um arquiteto famoso, e o pilar da casa é um empresário de tecnologia.

A relação com o buraco onde moram os Kim e a figura do pai, que se acha esperto, é espécie de espelho de iniciativas. 'Que metafórico!', costuma balbuciar Ki-woo, filho de Kim, a cada surpresa que se apresenta.

Tudo gira em torno da regularidade dos Park, que por terem 'a vida ganha' são vítimas dos trapaceiros que estão em volta. Para simplificar, Bong deseja que o público reflita que os ricos são culpados pelos azares de seus 'oponentes'?

Os abastados moram no alto. Os pobres moram debaixo do chão. Ora bolas! Essas alegorias me cansam. Bong disse em seu discurso no Globo de Ouro: 'Quando vocês [americanos] ultrapassarem a barreira das legendas, descobrirão filmes incríveis. A nossa língua é o cinema'. Ele está certo aí. E já começou. Duração: 132 minutos. Cotação: bom.

Publicidade
Comentários (0)

ATENÇÃO!

Os comentários publicados neste espaço são de responsabilidade de seus autores e não expressam
necessariamente a opinião do Diário de Jacareí


Por favor, faça o login antes de comentar

24 FEV
Publicidade
Notícias

Artigos
Perfil do Blog
Coisas de Cinema

Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
Arquivo
11/10/2019
A Prefeitura de Jacareí anunciou a implantação de corredores de ônibus na cidade. Qual a sua opinião sobre o tema?
06/04/2019
Após 100 dias de trabalho, qual a sua avaliação sobre o governo de Jair Bolsonaro (PSL)?
  • 38.1%
  • 19.5%
  • 14.6%
  • 13.3%
  • 12.2%
  • 2.2%
Publicidade
Publicidade
Logos e Certificações: