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Publicado em 09/10/2020 às 13h21
Fania: uma sobrevivente


RODRIGO ROMERO

Semana passada tratei aqui de uma cinebiografia e hoje repito o gênero. Desta vez, o holofote para na pianista francesa Fania Goldstein (1908-1983). Em 1980, o diretor já veterano Daniel Mann, baseando-se no livro de memórias da artista e no roteiro do célebre Arthur Miller, rodou 'Amarga Sinfonia de Auschwitz' à TV.

O longa-metragem narra a jornada de Fania no Campo de Concentração polonês, dominado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ela permaneceu lá 5 anos e foi libertada com o grupo já no fim do confronto, com a entrada dos russos em Auschwitz.

Neste tempo, fez parte da Orquestra Feminina local, com o sobrenome falso Fénelon, que ocultava o judeu, sob o medo de ser morta caso as músicas não fossem do agrado da plateia. O filme tem algumas liberdades poéticas, mas a interpretação da protagonista pela atriz Vanessa Redgrave é espantosa.

Ela topou raspar os cabelos e emagrecer ainda mais para viver a personagem. Mann imprime à trama um ar de regular tensão e a fotografia manchada de cinza, ou de fumaça, dá o tom tenebroso e fúnebre.

É destacável também as participações de Shirley Knight, como a supervisora das presas (se você não se lembra dela, é a mãe de Helen Hunt em 'Melhor é Impossível', 1997), Melanie Mayron, na pele de Marianne, a jovem que Fania toma como amiga em Auschwitz, a bela sueca Maud Adams (que logo depois faria 2 filmes do '007'), e Jane Alexander, a maestra da Orquestra (a atriz tinha nas costas 3 indicações ao Oscar, dentre elas a de 'Kramer versus Kramer', do ano anterior, quando encarnou a advogada de Meryl Streep).

'Amarga Sinfonia de Auschwitz', disponível na Netflix, é forte e apela a cenas reais ao intercalar cenas das presas com a parte de fora do Campo. Na medida em que o tempo de encarceramento aumenta, os devaneios, alucinações e pitadas de loucura avançam nas mentes daquelas mulheres, destroçadas e humilhadas 24 horas por dia. E é neste ponto que a mão firme de Mann mostra a que veio. Basta ver os semblantes da maioria do elenco durante boa parte da fita. É de cortar o coração em determinadas sequências. Duração: 150 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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