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Publicado em 29/05/2020 às 13h49
Democracia Desgovernada


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

A Nova República vigora no Brasil desde 1985 e ostenta como diferencial o direito imoderado de votar, como panaceia para solução dos males do País.

Praticamente todos são autorizados a votar. Só estão proibidos de participar da orgia eleitoral quem não pertence à Nação e os patriotas que sacrificam um ano da juventude no serviço militar obrigatório.

Irresponsáveis e criminosos podem votar. Quem nem sabe ler as propostas do candidato impressas na propaganda eleitoral, também. Até eleitores com debilidade senil são aceitos de bom grado.

De acordo com o art. 14 da Constituição, apenas as crianças são poupadas do ditirambo sufragista. O restante da população é obrigado a votar. E que ninguém ouse dizer que esse sistema não é lá muito democrático.

Toda essa massa é conduzida a escolher como futuros governantes apenas os indicados por facções duvidosas intituladas partidos políticos. É preocupante, o voto confere-lhes carta branca durante o quadriênio.

Diferentemente dos sistemas do Primeiro Mundo, a legislação presume que o eleitor brasileiro mediano seja um vasto sábio, apto tanto à escolha do Conselheiro Tutelar quanto do Presidente da República. 

O método não importa muito. Cabe até o voto esquizofrênico: no quadriênio de renovação de duas cadeiras senatoriais, o federado pode optar por ser representado simultaneamente pela situação e oposição.

Há, outrossim, voto esquizofrênico para Legislativo e Executivo. O eleitor apoia irrestritamente um mandatário supremo e, paralelamente, um parlamentar que sabotará todas as iniciativas dele.

Existe também o voto involuntário, que gera o eleito oculto. É o caso do cargo de Senador, cuja propaganda da chapa é dispensada de divulgar a dupla de suplentes.

Uma vez eleito, o político escolhido licencia-se para ser Ministro e o eleitorado passa a ser representado durante oito anos por outro alguém nem ao menos mencionado durante a campanha.

Em resumo, no Brasil, todo mundo vota em qualquer um, para qualquer coisa. E, ainda por cima, tem gente que acha que existe nisso alguma possibilidade de sucesso.

Como se dessa balbúrdia fosse aflorar alguém realmente preparado para, nalgum dia fatídico, levar o País ao progresso que coloque fim à desordem. 

Modelo reprovado.

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Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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