Publicidade
Domingo, 09 de Agosto de 2020 | você está em »principal»Blogs»Coisas de Cinema
Publicado em 13/03/2020 às 13h54
Aos pedaços


RODRIGO ROMERO

É muito bom quando a Academia de Artes, que elege os finalistas do Oscar, aponta alguns trabalhos inteligentes e os misturam com blockbusters. No caso da categoria Animação, ao mesmo tempo em que colocaram bobagens como 'Como Treinar o seu Dragão 3' e 'Toy Story 4', votaram também em 'Perdi meu Corpo' (2019, Netflix), desenho francês que tem um pouco de tudo: filosofia, psicologia, solidão, amor platônico e comiseração.

Duas tramas se alastram de modo simultâneo: a da mão decepada que escapa de um laboratório de dissecação e perambula pela cidade em busca do seu corpo e a de Naoufel, garoto de uns 18 anos que tenta ganhar a vida na periferia de Paris. Fundindo cenas de flash backs com as atuais, 'Perdi meu Corpo' mostra que tem algo a dizer e não está ali só de passagem. A angústia do protagonista diminui quando ele conhece Gabrielle e se apaixona.

Faz tudo para ficar perto dela e a sua satisfação é apenas olhá-la a distância, e se tiver sorte trocar 2 ou 3 palavras, jogar conversa fora por alguns segundos. A vida de Naoufel não foi fácil. Batalhou para ter pouco. O diretor Jérémy Clapin tem a nobre preocupação de escapar do politicamente correto. Exibe a pobreza, mas sem explorá-la propositalmente.

As sequências são cruas sem serem cruéis. Os perrengues do menino se assemelham aos da mão solitária, que enfrenta bueiros, ratos, formigas, lixo, enfim, toda a sorte de constrangimentos. Naoufel começa a fita trabalhando como entregador de pizza e por causa de Gabrielle arranja outra ocupação, numa marcenaria. O desenho em si é limpo, cheio de cor, vivo, e com traços fortes, portentoso.

Clapin se preocupa com os detalhes e seu esmero é digno de aplausos. O roteiro de Clapin e Guillaume Laurant faz jus à história, que não é para crianças. Nos últimos anos, há animações de gabarito que concorrem ao Oscar, mas não ganham. 'Com Amor, Van Gogh' (2018), 'Anomalisa' (2016), 'Chico & Rita' (2012) e 'O Mágico' (2011), para ficar nos mais novos, são exemplos sensacionais. Duração: 81 minutos. Cotação: ótimo.

Publicidade
Comentários (0)

ATENÇÃO!

Os comentários publicados neste espaço são de responsabilidade de seus autores e não expressam
necessariamente a opinião do Diário de Jacareí


Por favor, faça o login antes de comentar

09 AGO
Publicidade
Notícias

Artigos
Perfil do Blog
Coisas de Cinema

Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
Arquivo
11/10/2019
A Prefeitura de Jacareí anunciou a implantação de corredores de ônibus na cidade. Qual a sua opinião sobre o tema?
06/04/2019
Após 100 dias de trabalho, qual a sua avaliação sobre o governo de Jair Bolsonaro (PSL)?
  • 38.1%
  • 19.5%
  • 14.6%
  • 13.3%
  • 12.2%
  • 2.2%
Publicidade
Publicidade
Logos e Certificações: