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Publicado em 12/08/2013 às 10h27
Aconteceu!


RODRIGO ROMERO

A rede Cinemark aqui no Vale do Paraíba (e vejo no site que é também em todo o país) insiste em nos oferecer produções de qualidade próxima do zero. Então, vamos às mídias alternativas. Tem no YouTube (youtube.com/watch?v=M2ylBXhEbfQ) o documentário sobre a Rede e TV Manchete. É 'Aconteceu, Virou Manchete' (2012). Dirigido por Fernando Borges, o trabalho foi apresentado para a mera conclusão de curso de Jornalismo e em sua hora e 20 minutos de duração esmiúça com rica e esperta pesquisa meandros da emissora nascida a 5 de junho de 1983 e falecida a 10 de maio de 1999 com dívidas trabalhistas até o pescoço. Estão ali depoimentos do sobrinho de Adolpho Bloch (1908-1995), o fundador, além de artistas como Lucinha Lins, José de Abreu, Marcos Winter, jornalistas do calibre de Márcio Guedes, Paulo Stein, Ronaldo Rosas e Tânia Rodrigues e colaboradores afins. A fita tem a intenção de exibir ao público as suas principais atrações, como as novelas 'Pantanal' (1990), 'A História de Ana Raio e Zé Trovão' (1991), 'Dona Beija' (1986), o seriado Jaspion (1988-94), as tantas transmissões esportivas (Copas do Mundo, Olimpíadas, Copas do Brasil etc), os programas infantis (Clube da Criança etc), de variedades, transmissões ao vivo do carnaval, além, é claro, do jornalismo.

O Príncipe dos Poetas, Paulo Bomfim, disse noutro dia numa estupenda entrevista a Salomão Schvartzman, na TV BandNews, no alto de seus 86 anos, esta frase: 'Não sou um saudosista. Sou um homem de bom gosto.' Concordo em gênero, número e grau. Amo ver programas antigos ou arquivos de qualquer lado. Com o passado aprendemos o presente e analisamos o futuro, já se disse. E ao ver as imagens do próprio Bloch no anúncio da 'TV de primeira classe', e os demais momentos, me deu o ar de melancolia. Ninguém, creio, se preocupou em lembrar as três décadas da inauguração da TV. E, sendo assim, alguém teria de fazê-lo. Coube a Borges, um estudante, esta grata tarefa. Ele a cumpriu com seriedade e qualidade. Conseguiu, por exemplo, extrair lágrimas de Lucinha quando ela falou de seu programa infantil, e as histórias hilariantes de Rosas no Jornal da Manchete. Ao puxar à minha sardinha, minha memória da Manchete se resume a alguns pontos. No campo da criança, os seriados japoneses e Angélica. Nas variedades, o programa 'Almanaque'. No jornalismo, 'Gente de Expressão', entrevistas com Bruna Lombardi. Os instantes de declínio, com a Manchete agonizando, em 1997, 98 e 99, não dei bola. Mas recordo de Jota Silvestre, por exemplo, no 'Domingo Milionário'. Boa ironia.

O pecado do documentário está somente num ponto. Borges não se preocupou, ou esqueceu-se, de conversar com Schvartzman. O jornalista era um dos braços direitos de Bloch e acompanhou de camarote o ápice e queda da televisão. Inclusive ancorou o Jornal da Manchete e leu os editoriais acerca das dívidas aos funcionários em meados dos anos 90. Recentemente, num ótimo bate-papo no Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, Schvartzman revelou uma história deste período. Em 1990, ele e Bloch foram conversar com Lafaiete Coutinho, então presidente do Banco do Brasil da era Collor. A reunião tinha o fim de estabelecer prazos maiores pra TV quitar as parcelas com o banco. Coutinho, segundo Schvartzman, teria dito: 'Pensa que somos palhaços? Neste governo só há gente honesta, de caráter!'. E então, diz o jornalista, 'Bloch começou a morrer ali'. 'Eu me levantei pra sair e o puxei da cadeira. Ele estava travado, não queria ir embora', disse Schvartzman, sobre Bloch. E é bom recordar que a concessão da TV Manchete foi dada em março de 1981 pelo então presidente João Figueiredo. Bloch ficou com canais da Tupi e Excelsior, e Silvio Santos também com a Tupi. O SBT estreou meses depois. O 'canal 9' apenas dois anos mais tarde, para se preparar. Vemos agora que não se saiu bem.

Conversei com Borges via rede social e, como o bom estudante, falou das muitas dificuldades em montar o longa. Não há o que se escusar. 'Aconteceu, Virou Manchete' já está entre as melhores, senão a melhor, homenagens que não apenas a Manchete recebeu, mas igualmente os funcionários.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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