Máfia do apito
Documentário em 3 episódios mostra como operava a engrenagem do esquema, iniciado em Piracicaba, interior de SP, em 2004.
Setembro de 2005: um escândalo esportivo sacode o Brasil: descobre-se que árbitros de futebol manipulam resultados de partidas oficiais a favorecer apostadores e, claro, também recebem grana por fora para tal tarefa (de R$ 10 mil a R$ 15 mil por jogo adulterado). Um deles, Edílson Pereira de Carvalho, de Jacareí. O documentário em 3 episódios 'Máfia do Apito' (2025, Globoplay – Canastra Real, Truco e Buraco são os nomes dos capítulos) mostra como operava a engrenagem do esquema, iniciado em Piracicaba, interior de SP, em 2004, com o 'apitador' Paulo Danelon, em conluio com 'Gibão', o rei das apostas. Carvalho entra na fraude meses depois, março, combinado que estava em alterar propositalmente placares das rodadas.
O diretor Bruno Maia entrevistou personagens envolvidos na maracutaia (Carvalho e Gibão – Danelon não quis), protagonistas das reportagens reveladoras (Thaís Oyama e André Rizek, ambos, na época, jornalista da revista 'Veja') e outras pessoas que cercavam os focalizados (há jacareienses como Renato Arice, amigo de Carvalho, Marcelo Fortes, ex-secretário de Esportes, ex-personal-trainer do árbitro, e Marcos Rogério, dirigente do futebol amador).
Rizek confessa: a expressão 'Máfia do Apito' não condizia com a operação, porém o nome soou bem. "Não era máfia com dezenas, centenas de pessoas. Tinham só os 2 árbitros que deturpavam resultados. Usamos 'máfia' para dar a impressão de algo grande. Funcionou". O que mais espanta no filme é o tamanho da ingenuidade (entrevistados preferiram usar 'burrice') de Carvalho.
Rizek revela: "Fui à casa do Edílson dizendo que faria reportagem sobre cotidiano do juiz de futebol. Ele já começou a confessar a falsificação do diploma escolar para poder entrar na Federação Paulista, por exemplo". A figura estranha do ex-delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, é analisada. Em dado momento, Queiroz ameaçou vazar à Globo as investigações de 'Veja'. Foi quando Oyama decidiu publicar a reportagem, na capa, com a enorme foto de Carvalho. Duração dos 3 episódios: 115 minutos. Cotação: ótimo.
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