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Publicado em 16/03/2015 às 10h20
Selma, 50 anos depois


RODRIGO ROMERO

O ator Tom Wilkinson sempre trabalha bem. A forma como desenvolve os seus personagens, mesmo os menores, dá vida à história, seja ela qual for. É parecido com Frank Langella ou Bill Murray, com igual talento. Tudo o que toca vira ouro. É o caso de 'Selma' (2014), falsamente tido como a biografia de Martin Luther King no cinema. Na verdade, trata-se da marcha encampada pelo líder negro há 50 anos na cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do Estado, Montgomery. A proposta: ter direito eleitoral igual ao do branco. Poder votar nos EUA nos anos 60 não era para qualquer um.

O jornalista Élio Gaspari publicou artigo na Folha de São Paulo em janeiro sobre a fita. Segundo ele, o ex-presidente Lindon Johnson, papel de Wilkinson, foi mal pintado na telona. Vemos o político de todas as formas tentando intimidar King. Não queria a marcha, pois atrapalharia o governo. Mentira, diz Gaspari. Johnson foi a favor de enviar ao Congresso o projeto de igualar os direitos de votação.

De forma geral, 'Selma' é um bom filme. A fama de 'Selma' passou longe da de '12 Anos de Escravidão', melhor filme do Oscar 2014. Os pontos altos do longa são exatamente os embates entre Johnson e King. Como Wilkinson se sai melhor, a história fica torta, pois o alvo é o líder assassinado em 68. Aliás, o veterano deveria ter sido indicado a Melhor Ator Coadjuvante na festa do Oscar 2015.

Lidar com fatos históricos na sétima arte sempre é um problema porque o cinema romanceia o caso, ilustra na forma que bem entende e às vezes derrapa na maionese. Com 'Selma' essa teoria é válida a metade. Mas são poucas as mulheres que dirigem filmes em Hollywood. E, para ser feito, 'Selma' teve dinheiro da milionária Oprah Winfrey e França. As coisas não mudam tanto assim em cinco décadas. Não à toa, Patricia Arquette disse o que disse na cerimônia festiva e obteve como respostas gritos de Meryl Streep a seu favor. Ninguém aguenta muito mais do jeito que está. A indústria tem de mudar.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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