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Publicado em 24/01/2020 às 15h36
Quem diria


RODRIGO ROMERO

Ao não crer, me surpreendi. Eddie Murphy está muito bem em 'Meu Nome é Dolemite' (2019, Netflix). Valeu a sua indicação para o Globo de Ouro - seria exagero ao Oscar. Trata-se da cinebiografia de Rudy Ray Moore (1927-2008).

Ator, roteirista e produtor, ficou famoso nos EUA nas décadas de 1970 e 1980 com seus filmes no estilo da pornochanchada brasileira, com tramas que misturavam humor e sexo. É o 5º filme do diretor Craig Brewer ('Footloose: Ritmo Contagiante', 2011). 

Basicamente com elenco formado por negros, o roteiro puxa a história ao processo que levou Moore ao estrelato, ainda que se tratasse, digamos assim, de subcelebridade. De cafetão de boate a aspirante de comediante via stand up, ele desejava ser conhecido, de uma forma ou outra.

Suas apresentações eram recheadas de tédio, até que um dia resolveu abrir o vocabulário aos palavrões e expressões chulas. As piadas que sacaneavam os brancos e exaltavam negros que viviam nas periferias foram o estopim ao seu apogeu.

Com o sonho de produzir filmes, convenceu alguns amigos a embarcarem na ideia. Brewer não precisou quase retocar o trabalho de Murphy. Ao olhar de fora, nota-se que a interpretação é sobre ele mesmo, sua trajetória pessoal.

Mas há a pitada-surpresa, cujo molho deixa mais saboroso o prato: Murphy se entrega de corpo e alma e deixa de lado pudores que tinha em outras produções até um tanto grotescas, como 'Norbit', por exemplo.

'Meu Nome é Dolemite' ultrapassa o jogo do politicamente correto e mostra, por trás do blocked, todo o racismo que estava com tintas frescas naquela época. O sucesso de Moore, que atraiu não só negros e foi massacrado pela crítica por serem fitas praticamente amadoras, foi a resposta do artista ao seu caminho torto, onde obstáculos não faltaram, sem querer colocar aqui lugares-comuns ou clichês sentimentais.

A qualidade de Murphy está tão alta que em menos de 20 minutos do filme nos esquecemos daquele ator das comédias sem graça dos anos 90 e o encaramos como personagem Dolemite, dono de si, disposto a qualquer coisa para subir no degrau mais alto do pódio.

E quem diria que depois de 16 anos desta coluna 'Coisas de Cinema', eu escreveria aqui um texto elogioso sobre este cara chamado Eddie Murphy? Há as participações especiais de Chris Rock e Snoop Dogg. Duração: 118 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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