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Publicado em 13/10/2014 às 15h48
‘O melhor do clube’


RODRIGO ROMERO

Antônio Abujamra nos ensinou: 'A esperança ferrou com a América Latina'. Ele usa um outro verbo, palavrão com 'F' também, mas eu pego leve. Em determinados cantos da vida tento discordar do provocador. Depois que assisti ao documentário em curta-metragem 'Elio Gaspari' (2014), de 25 minutos, comemorei o fato de ele ser italiano. No velho continente a esperança prossegue o caminho. É clichê máximo, mas sua história se confunde com a do jornalismo da segunda metade do século 20.

Dirigido por Paula Sacchetta e Peu Robles e produzido pela primeira, o vídeo desvenda, ou só procura esclarecer, um naco da carreira deste repórter e articulista. Para aqueles que não se acharam na trama, situo-os: Gaspari recentemente comemorou 70 anos; abomina aparecer em filmagens e, é óbvio, também de dar entrevistas. A reclusão, aparentemente sem motivos, é pouco explicada no doc, mas isto não interessa. O importante é analisar suas posições, seus feitos e contribuições às redações. A fita foi apresentada durante o 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado pela Abraji - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo - de 24 a 26 de julho de 2014 em SP.

Ex-colegas de faculdade, ex-companheiros de jornais comunistas, ex-parceiros da coluna de Ibrahim Sued, e muitos admiradores de Gaspari falam. Um deles revela como foi criado Eremildo, o Idiota, um dos personagens mais conhecidos do jornalista, presente nos espaços na coluna na 'Folha de São Paulo' e 'O Globo'. Outro detalha a esperteza profissional quando fotografou à revista 'Veja' o trágico incidente da greve de Volta Redonda, em 88. São temas eletrizantes a quem ama 'jornalizar'. Outro amigo informa: 'Quando não tem a meia página dele aos domingos eu me sinto muito lesado'.

O documentário pode ser encontrado no YouTube e é indicado aos estudantes da profissão, como igualmente aos repórteres de hoje, acostumados a pescar produtos em redes sociais e o Google santo. Daniela Pinheiro, da revista 'piauí', falou de algo que eu mesmo queria fazer: ligou pra Gaspari somente com o intuito de conhecê-lo pessoalmente. A partir de então, os dois ficaram amigos. 'Falo com ele acerca das propostas de emprego que recebo. Ele me dá boas dicas, conselhos', disse Daniela.

Além dos domingos, às quartas-feiras Gaspari emite opiniões essencialmente sobre política, mas dá pitacos até sobre TV. Lembro-me de um tópico logo após a estreia de Fátima Bernardes pelas manhãs da Globo, onde Gaspari pediu para darem tempo até a ex-Jornal Nacional se acostumar. Por se tratar duma produção simples, mostra melhor a compreensão do ítalo-brasileiro no ramo. Casado com a repórter Dorrit Harazim, Gaspari é o autor de quatro livros básicos para quem deseja saber da Ditadura Militar Brasileira (1964-85). Lançados entre 2002 e 2004, são de extraordinária grandeza.

Algumas semanas atrás o tema desta coluna foram os aniversários de outros dois jornalistas com 'J' maiúsculo: Paulo Francis e Mino Carta. Do primeiro, o documentário está para a posteridade e o segundo, não. Em um dos depoimentos de 'Elio Gaspari', Ancelmo Góis, do jornal 'O Globo', disse ser Gaspari 'o melhor do clube'. Evidente. Ao lado de totens da imprensa como Cláudio Abramo, José Hamilton Ribeiro, Joel Silveira, Audálio Dantas, enfim, uma infinidade de nomes, Gaspari compõe o panteão com maestria e jubilo. É um dos dinossauros. E sua obra total está aí para quem quiser ler.

Se você é fã dele, outra dica. O evento citado anteriormente, o 9º Congresso, está disponível e 100% dele pode ser visto no YouTube. Lá o jornalista discursou (!) por cerca de 15 minutos para dar o agradecimento ao público... Relembrou alguns momentos da carreira, como quando ia ao aeroporto de Brasília com a finalidade de conseguir entrevistas de autoridades. "Eu ia mesmo com frases, ideias anotadas no papel e as oferecia aos entrevistados. 'O senhor quer ter falado isto?' Tinha gente, acho que a maioria, que aceitava", falou. Já naquele tempo, anos 60, como se vê, os políticos nada sabiam.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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