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Publicado em 07/09/2018 às 14h42
Museu em chamas


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Em 2018, a comemoração do Sete de Setembro foi lastimavelmente chamuscada pelas labaredas que esturricaram o Palácio da Quinta da Boa Vista. É o processo de homogeneização da alta cultura brasileira: assim como os bailes funk, o museu pegou fogo madrugada adentro.

Defeso é sustentar a eventualidade do sinistro, pois a nação brasileira é pródiga em maus exemplos de preservação do patrimônio histórico, paisagístico e cultural - o furto da taça Jules Rimet, o abandono do cenográfico Sítio do Pica Pau Amarelo, a supressão das Sete Quedas.

Longa seria a listagem, mas concentrada a análise apenas no Museu Imperial, morada por mais de 60 anos do brasileiro que mais orgulha os patriotas, a destruição já ocorre desde a proclamação da malfadada República.

A partir daí, três quintos de sua área original já foram suprimidos. Uma parte doada à Santa Casa para instalação de uma escola agrícola foi indevidamente loteada. Noutra parte, prédios históricos foram demolidos para ceder espaço a estacionamento aos eventos transitórios que arruinaram as finanças brasileiras (Copa e Olimpíada). 

A tragédia continua silenciosamente após o incêndio. A estação ferroviária do Palácio, utilizada pela família imperial e de notável valor arquitetônico, está em ruínas e também foi desvirtuada para estacionamento particular.

O horizonte de desrespeito à nossa história extrapola limites cariocas. O governo paulista protagonista vexame mundial ao fechar o Museu do Ipiranga desde 2013, para uma reforma nem sequer iniciada e, na previsão mais otimista, com projeção de término só em 2024.

A preservação dos museus está distante de ser prioridade onde grassam a ignorância, a incompetência e a desonestidade. A culpa deve ser compartilhada por administradores e administrados. Antes da queima, por constatação empírica, qualquer proposta de visita ao Museu Nacional era recebida com descaso, desdém ou desconhecimento pelos anfitriões.

Oxalá a propalada Atenas Paulista evite incidir na cilada. Há um Museu de Antropologia do Vale do Paraíba a zelar. Durante a dinastia do proletariado, as teclas de seu valioso piano ficaram encardidas, conspurcadas por gente desabituada a lavar as mãos. Logo, possível é imaginar como andam outros aspectos despercebidos, como fiação e hidrantes.

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Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


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