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Publicado em 15/06/2015 às 14h57
Manual da boa mesa


RODRIGO ROMERO

Minha surpresa foi enorme quando eu percebi que nos 11 anos de coluna aqui no Diário de Jacareí, completados em janeiro, não havia tecido comentários sobre um dos melhores, senão o melhor, filme de requinte e elegância, combinado com alta qualidade e referência na gastronomia e do bom paladar: 'A Festa de Babette' (1987). Se você se dedicar a ver apenas os 35 minutos finais da trama será recompensado com inesquecível cena do jantar, onde pratos variados são servidos para os visitantes da casa das irmãs carolas Martina (Birgitte Federspiel) e Phillipa (Bodil Kjer). Porém, caso o espectador queira o recomendável, ou seja, ver o filme na íntegra, o seu deleite será estupendo.

Adaptado de um conto de Karen Blixen e dirigido por Gabriel Axel, 'A Festa de Babette' narra a fuga da personagem-título (Stéphane Audran) da Comuna de Paris. Em 1871, ela chega a uma vila norueguesa, se emprega na casa de Martina e Phillipa, filhas solteironas de um pastor rigoroso, que havia morrido alguns anos antes. A única ligação de Babette com seu país de origem são os números que o irmão dela sempre joga na loteria e numa dessas a senhora conquista o grande prêmio. Mas ao contrário do que possa parecer, a sortuda não pretende pegar a bolada e cair fora. Babette quer, sim, retribuir o carinho de Martina e Phillipa. Para celebrar os 100 anos do pastor, resolve fazer o 'jantar'.

Os simples moradores do vilarejo, convidados ao banquete, temem as consequências dos seus atos. A gula os fará maus? É claro que não. Bebidas e comidas estão à vontade e o centro das atenções é exatamente o bom paladar. 

Representante da Dinamarca no Oscar de 1988 na categoria de filme em língua estrangeira, 'A Festa de Babette' levou a estatueta sem sustos, além do Bafta, o 'Oscar da Inglaterra', no mesmo quesito. Conquistas merecidas para uma produção relativamente barata e desprovida de pretensões maiores. Axel era bastante experiente ao rodar a fita. Estava com 68 anos e quase quatro décadas de carreira. Morreu há um ano, aos 95, em 9 de fevereiro de 2014. Stéphane contava 55 anos quando o convite ao longa chegou. Não parecia que tinha esta idade. Veterana, a atriz deu um banho em frente às câmeras de interpretação. Dona duma delicadeza de classe, conseguiu passar ao público o frescor.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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