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Publicado em 16/07/2021 às 15h03
Mank versus Hearst


RODRIGO ROMERO

Já faz algum tempo que o cinema de Hollywood pende à esquerda. Uns 20 anos, mais ou menos. Nas décadas de 1970 e 1980, a movimentação era à direita - período do fim da Guerra do Vietnã, o governo Carter e o domínio de Reagan, entre 1981 e 1989. Chamados 'filmes de macho' ('Robocop', 'Rambo' e 'Karatê Kid' são exemplos), essas produções propagavam coragem e atitudes destemidas. Corta para 2000.

A partir daí, longas-metragens concentraram suas metralhadoras em temas cuja mirada era o 'vitimismo', principalmente após o 11 de setembro de 2001. Estas considerações são gerais, superficiais, pois há exceções. 'Mank' (2020), da Netflix, que concorreu a 10 categorias do Oscar, dirigido por David Fincher, mostra como se deu a confecção do roteiro do clássico 'Cidadão Kane' (1941), escrito por Herman Mankiewicz, figura protagonista da obra.

Interpretado pelo sempre brilhante Gary Oldman, Mank redigiu o blocked deitado numa cama, com a perna quebrada, ditando suas ideias a uma assistente. Mank, sujeito arrogante, alcoólatra e mau marido, foi 'escondido' por Orson Welles numa pequena casa, aparentemente sem bebidas, para que ele pudesse se dedicar 100% à fita. Fincher aborda esta quase cinebiografia de modo lapidar, cuja fotografia em preto e branco transmite um pouco do ambiente de 80 anos atrás. Oldman é um Ator com 'A' maiúsculo e comprova isto a cada novo trabalho.

Porém, o objetivo do diretor, que pegou o roteiro do pai, Jack, é escancarar a batalha de Mank por poder colocar o seu nome nos créditos de 'Cidadão Kane', e exibir um pouco do esquerdismo radical do seu personagem central. Mank pegou a história do magnata da imprensa William Randolph Hearst e a colocou na telona, com toda a bile de ódio e vingança de um homem que lhe pagava parte do salário que Mank recebia dos estúdios de cinema.

Ou seja: um típico vermelho. Agora, vejam vocês: figuras como Joseph McCarthy, John Wayne, Elia Kazan e outros mais, estão esquecidos por essa indústria da Sétima Arte. Sabem o motivo? Eram sujeitos anticomunistas, que não se furtaram de denunciar quem pertencia ao partido, um por um. Duração: 131 minutos. Cotação: bom.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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