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Publicado em 16/02/2018 às 15h06
Del Toro ‘viaja’. Que bom!


RODRIGO ROMERO

'A Forma da Água' é o 10º longa-metragem dirigido pelo mexicano Guillermo Del Toro, 53 anos. Seu trabalho mais famoso, para alguns, é 'Hellboy' (2004). A outros, 'O Labirinto do Fauno' (2006). Tem gente que defende 'Cronos' (93), obra realizada antes da fama, que aborda a inquisição no século 16, alquimistas, mistérios escabrosos etc.

Neste grupo, onde entraria 'A Forma da Água', em cartaz por aqui desde a semana passada? Sem pestanejar: entre os seus 3 melhores feitos. Del Toro tem a vasta qualidade de 'viajar' - no sentido de abstrair, imaginar - em suas histórias. Na fita, o romance entre Elisa (Sally Hawkins, deslumbrante), faxineira de um laboratório de experimentos nos EUA, e aquela figura anfíbia, de início assustadora, é armadilha à compaixão fácil e despreparada.

Muda, a moça é a imagem e semelhança do 'monstro' (Doug Jones). Afastada da sociedade e vista com olhos distintos e às vezes maldosos pelos colegas de trabalho, tem em Zelda (Octavia Spencer, para variar perfeita de novo como coadjuvante- parece que nasceu a amparar os filmes), parceira de serviço, a conselheira.

Giles (Richard Jenkins), o vizinho solitário e talentoso, acolhe-a como 'filha' e quase divide a sua vida com Elisa. Richard (Michael Shannon), o duro e obcecado funcionário responsável por manter presa a figura estranha - vinda do Amazonas, diga-se -, tem a missão da vilania da trama. Montado todo o cenário, 'A Forma da Água', líder em indicações ao Oscar de 2018 (13, dentre elas de filme, Hawkins, Spencer e Jenkins) tem a pretensão de mostrar, ainda que de forma velada, o atual momento onde os diferentes são jogados fora?

Pode ser, mas se resumir a isto empobrece o brilho de G. Del Toro. Vai além disso. Não há quem não se emocione, se compadeça do Homem-Anfíbio a partir de sua segunda aparição. A fotografia e a direção de arte (se passa nos anos 60) lustram o filme de modo significante.

Hawkins, que havia sido indicada a coadjuvante em 2014, por 'Blue Jasmine', é encantadora e vive a personagem com a ternura que merece. Dos 9 filmes que concorrem à principal categoria do Oscar, assisti a 8. Falta 'A Trama Fantasma'. Posso afirmar que a obra de Del Toro está entre as 5 primeiras, sinta isto elogioso ou não. Mas 'A Forma da Água' é tão bom como, para mim, 'O Labirinto do Fauno'. Duração: 123 minutos. Cotação: ótimo.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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