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Publicado em 23/10/2020 às 15h03
Bem profundo


RODRIGO ROMERO

Um dos filmes mais comentados e debatidos do ano passado e deste, 'O Poço' (2019, da Netflix) também sofreu com comentários subalternos de quem deseja 'lacrar' ou fazer boa figura do politicamente correto. É impressionante o modo como esse extenso grupo dessa patrulha se infiltra em temas que nem lhes dizem respeito, porém o pitaco está lá, como panfletos distribuídos àqueles soberbos e arrogantes jovens da classe média ou elite francesas dos idos de 1968, que nem sequer sabiam o que era esquerda e direita.

A trama, dirigida pelo estreante Galder Gaztelu-Urrutia, nada mais é do que alegoria ao capitalismo, sobre como as pessoas, quando se percebem encurraladas por determinado tipo de perigo ou aflição, pensam somente em si e querem que os demais se danem. O argumento inicial é bobo: um sujeito quer se instalar no 'Poço' para 'viver uma experiência'.

No ato, nota que há algo de estranho ali. O tal do lugar (na verdade, uma prisão) possui centenas (ou milhares?) de andares vazados. A cada período (podem ser dias, semanas ou meses), os detentos mudam de posição (por exemplo: alguém do bloco 27 pode no mês seguinte estar no 188, e no outro, no 332, e por aí vai).

Uma vez ao dia desce uma bandeja farta de comidas e sobremesas, preparadas pelo restaurante superexigente da penitenciária. Mas trata-se de uma única bandeja a todos os degraus do poço. Ou seja: os primeiros se esbaldam na comilança; aos derradeiros sobram apenas as louças sujas, os vidros embaçados. O protagonista Goreng, com sua alma de revolucionário progressista, tenta fazer com que cada um dos presos coma somente o mínimo à subsistência, para, assim, dar a chance aos demais de poderem saciar a fome.

Ele só não pensou num detalhe: como escrevi antes, a regularidade dos gatunos em cada andar varia demais e fazer com que entendam é tarefa absurda e impossível. Apoiado por um ideal que beira o comunismo falido da URSS de 1990, o personagem encontra um objetivo - ajudar uma presa a achar a filha menor, que se perdeu no 'Poço'. Com cenário enxuto, a fita dá para o gasto. Duração: 94 minutos. Cotação: regular.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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