Sexta, 04 Setembro 2026

Quase 2 milhões trabalham por aplicativos no Brasil

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Quase 2 milhões trabalham por aplicativos no Brasil

Levantamento mostra jornadas maiores, menor rendimento por hora e alta informalidade entre trabalhadores de plataformas. 

Os entregadores representavam 19,2% dos trabalhadores de plataformas, cerca de 376 mil pessoas. Foto- Paulo Pinto/Agência Brasil
Cerca de 1,96 milhão de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número corresponde a 1,9% do total de ocupados no país e inclui trabalhadores de transporte de passageiros, entregas e prestação de serviços.

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A maior parte, aproximadamente 1,2 milhão de pessoas, atuava no transporte de passageiros. Desse total, cerca de 1,1 milhão utilizavam aplicativos como Uber e 99, enquanto 232 mil trabalhavam exclusivamente com aplicativos de táxi.

Os entregadores representavam 19,2% dos trabalhadores de plataformas, com cerca de 376 mil pessoas. Outros 313 mil, ou 16%, estavam em aplicativos de prestação de serviços gerais ou profissionais, categoria que reúne atividades como design, tradução e outros serviços.

RENDIMENTO
Um dos principais resultados da pesquisa está na relação entre renda e jornada de trabalho.

Em 2025, o rendimento médio mensal dos trabalhadores por aplicativo foi de R$ 3.147, praticamente igual ao dos demais trabalhadores, de R$ 3.148.

A diferença aparece na jornada. Quem trabalhava por meio de aplicativos cumpria, em média, 44,7 horas semanais, contra 39,3 horas dos demais ocupados. São 5,4 horas a mais por semana.

Com isso, o rendimento médio por hora dos plataformizados ficou em R$ 16,20, cerca de 12% abaixo dos R$ 18,40 registrados entre os demais trabalhadores.

O IBGE considera, nesse cálculo, o valor efetivamente retirado pelo trabalhador depois de custos relacionados à atividade, como combustível no caso dos motoristas.

INFORMALIDADE
A pesquisa também mostra uma diferença importante na proteção trabalhista e previdenciária.

Entre os trabalhadores de aplicativos, 72,1% estavam na informalidade, enquanto o índice entre os demais trabalhadores do setor privado era de 42,7%.

A cobertura previdenciária também era menor: 34% dos plataformizados contribuíam para a Previdência, contra 63% dos demais ocupados.

A maior parte dos trabalhadores de aplicativos também atuava por conta própria. Eles representavam 86,8% dos plataformizados, proporção muito superior aos 28,9% registrados entre os trabalhadores por conta própria no conjunto do setor privado.

DEPENDÊNCIA DAS PLATAFORMAS
Apesar de serem classificados como trabalhadores por conta própria, os dados indicam que muitos dependem diretamente das plataformas para definir aspectos importantes da atividade.

Entre motoristas que utilizam aplicativos, 80,2% afirmaram que o valor recebido por tarefa depende totalmente da plataforma. Entre os entregadores, o índice foi de 78,3%.

O levantamento também mostra que 65,9% dos entregadores disseram depender da plataforma para definir o prazo de realização das tarefas, enquanto 71,3% afirmaram que a forma de recebimento do pagamento é determinada pelo aplicativo.

O IBGE considera que esses dados apontam para uma relação diferente daquela existente no trabalho autônomo tradicional.

QUEM SÃO
Entre aqueles que tinham o trabalho por aplicativo como ocupação principal, 84,4% eram homens e 47% tinham entre 25 e 39 anos.

Para motoristas e entregadores, o principal motivo apontado para trabalhar por meio das plataformas foi não conseguir encontrar outro trabalho. A flexibilidade de horários e a possibilidade de obter rendimento maior também apareceram entre as justificativas.

A pesquisa do IBGE é considerada experimental e vem sendo realizada desde 2022. Para permitir a comparação com os levantamentos anteriores, o instituto considera apenas quem tinha o trabalho por aplicativo como ocupação principal.

Nesse recorte, o contingente passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,7 milhão em 2024 e 1,8 milhão em 2025 — crescimento de 36,8% em três anos e de 9,1% em um ano.

Uberização volta ao centro do debate

Os dados do IBGE reforçam uma discussão que ganhou espaço no país nos últimos anos: as condições de trabalho de motoristas, entregadores e outros profissionais que dependem de plataformas digitais.

O tema está relacionado ao julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a chamada "uberização" do trabalho, que discute a existência ou não de vínculo empregatício entre trabalhadores e empresas responsáveis pelos aplicativos.

De um lado, representantes dos trabalhadores defendem o reconhecimento de direitos trabalhistas e apontam riscos de precarização. De outro, as principais plataformas contestam a existência de vínculo empregatício.

A discussão ganhou ainda mais relevância diante dos números apresentados pelo IBGE: embora classificados majoritariamente como trabalhadores por conta própria, os plataformizados apresentam forte dependência das empresas em aspectos como remuneração, prazos e forma de pagamento. 

 

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