Domingo, 19 Julho 2026

Dignidade no cuidado em saúde

Dignidade no cuidado em saúde

Nesse contexto ganha relevância o chamado Estatuto do Paciente, instrumento voltado à consolidação de direitos fundamentais.

A relação entre paciente e profissional de saúde sempre foi marcada por uma profunda assimetria de informações. De um lado, o paciente, muitas vezes fragilizado pela doença; de outro, profissionais e instituições que detêm o conhecimento técnico. É justamente nesse contexto que ganha relevância o chamado Estatuto do Paciente, instrumento voltado à consolidação de direitos fundamentais na relação de cuidado em saúde.

Temos que o paciente não é um mero destinatário passivo de procedimentos médicos. O paciente deve ser considerado como sujeito de direitos e deve participar das decisões relacionadas ao próprio corpo e à própria saúde. Para isso, tem direito a receber informações claras, adequadas e compreensíveis sobre seu diagnóstico, prognóstico, tratamentos disponíveis, riscos e alternativas.

A autonomia é um dos pilares dessa relação. O consentimento informado não deve ser tratado como mera formalidade documental, mas como um verdadeiro processo de comunicação entre profissional e paciente. Da mesma forma, o paciente possui, em regra, o direito de recusar tratamentos e procedimentos, desde que esteja devidamente informado sobre as consequências de sua decisão.

Também são essenciais a proteção da privacidade, o sigilo das informações de saúde, o acesso ao prontuário e a possibilidade de buscar uma segunda opinião médica. O acompanhante e o representante do paciente também assumem papel relevante em determinadas situações, especialmente quando há incapacidade para a tomada de decisões.

Na prática, o fortalecimento desses direitos impõe deveres importantes aos hospitais, clínicas, profissionais de saúde e planos de saúde. Não basta oferecer um tratamento: é necessário respeitar a dignidade, a vontade e a individualidade de quem está sendo cuidado. A saúde não pode ser compreendida apenas sob a perspectiva técnica.

O paciente deve ser visto em sua integralidade, com voz, autonomia e dignidade. Conhecer seus direitos é, portanto, uma forma de participar ativamente das decisões sobre a própria vida. 

 

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